RADAR DO AÇÚCAR DANCOR
ANÁLISE DO MERCADO • SEGUNDA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 2026
Período analisado: 25 a 28 de setembro de 2026 | Mercado brasileiro e internacional
INDICADOR CEPEA/ESALQ • AÇÚCAR CRISTAL BRANCO • SP
R$ 120,62
Saca de 50 kg • 25/09/2026
Referência em dólar
US$ 23,24
Por saca de 50 kg
Variação diária informada
-0,42%
Leve recuo no indicador
1. Resumo do mercado
O mercado de açúcar chega ao final de setembro sob a influência de dois movimentos importantes: de um lado, a expectativa de uma oferta global mais restrita, com preocupações climáticas em países produtores; de outro, a pressão exercida pela disponibilidade de açúcar brasileiro e pela demanda internacional.
No Brasil, as chuvas no Centro-Sul prejudicaram o ritmo da colheita em setembro, reduzindo a moagem e a produção de açúcar na primeira quinzena do mês. Esse cenário trouxe atenção para a disponibilidade de produto durante a reta final da safra.
Na sessão de 24 de setembro, o açúcar bruto negociado em Nova York encerrou em 17,58 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco de Londres fechou a US$ 509,90 por tonelada. Os mercados apresentaram movimentos diferentes, indicando que as condições de oferta e demanda para cada tipo de açúcar também influenciam as cotações.
ChiniMandi
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O que merece atenção
O impacto das chuvas sobre a moagem e a produção de açúcar no Brasil.
A entrada da entressafra no Centro-Sul e a disponibilidade de estoques.
A evolução das importações chinesas e a política de exportação da Índia.
A decisão das usinas brasileiras entre produzir açúcar ou etanol.
A relação entre petróleo, biocombustíveis e câmbio.
2. Notícias recentes do mercado
Notícias localizadas no período e informações de contexto publicadas anteriormente, identificadas pelas respectivas datas.
24 de setembro
Chuvas reduzem a estimativa de produção de açúcar no Centro-Sul
Uma pesquisa da S&P Global Platts com dez analistas estimou que a produção de açúcar na primeira quinzena de setembro recuaria 42,5%, para 2,09 milhões de toneladas, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A moagem de cana foi estimada em 29,8 milhões de toneladas, queda de 35,4%.
O clima afetou o ritmo de colheita e reforçou a atenção do mercado para o volume de açúcar disponível na reta final da safra.
InfoMoney
Ler notícia – InfoMoney / Reuters
25 de setembro
Açúcar em Nova York aguarda melhora do clima no Brasil
O mercado internacional acompanhou as condições climáticas brasileiras, com investidores atentos à possibilidade de melhora do tempo e à retomada da colheita. As condições de campo são um fator importante para as expectativas de oferta e para a formação dos preços futuros.
MarketScreener
Ler notícia – Reuters / MarketScreener
22 de setembro
China aumenta importações em agosto, mas segue abaixo de 2025
A China importou 650 mil toneladas de açúcar em agosto, o maior volume mensal de 2026 até então. Apesar da recuperação mensal, as importações acumuladas de janeiro a agosto somaram 2,25 milhões de toneladas, 13,5% abaixo do mesmo período de 2025.
A evolução das compras chinesas será importante para avaliar a demanda global e a capacidade de absorção da oferta exportável.
agrospectrumasia.com
Ler notícia – AgroSpectrum Asia
Contexto para setembro
Índia mantém atenção sobre o abastecimento interno
A política de exportação indiana segue como um fator relevante. Notícias publicadas anteriormente indicaram restrições às exportações até 30 de setembro de 2026, com exceções específicas. A disponibilidade de excedentes e as decisões do governo indiano podem alterar a oferta mundial nos próximos meses.
The Economic Times
+1
Ler notícia – Economic Times
22 de setembro
Petróleo e biocombustíveis continuam no radar
A Reuters destacou a expectativa de expansão da produção global de biocombustíveis até 2030, impulsionada por preocupações com a segurança energética. Para o setor sucroenergético, o petróleo influencia a competitividade do etanol e pode alterar os incentivos econômicos para a destinação da cana.
Reuters
Ler notícia – Reuters
3. Produção de açúcar no Brasil – Safra 2026/27
Projeções oficiais da Conab, divulgadas em 20 de agosto de 2026.
Estimativa nacional de produção
705,2 milhões t
Cana-de-açúcar • crescimento estimado de 4,7% sobre 2025/26
Produção de açúcar
42,89 mi t
-2,9%
Etanol total
41,88 bi L
+11,7%
Variações estimadas em relação à safra anterior. Fonte: Conab.
Companhia Nacional de Abastecimento
A estimativa da Conab mostra um cenário importante: mesmo com o aumento da produção de cana, a fabricação de açúcar pode cair, enquanto a produção de etanol cresce. Isso ocorre porque a quantidade de cana disponível não determina sozinha o volume de açúcar produzido. A decisão das usinas sobre como utilizar a matéria-prima também tem grande importância.
Estimativa regional da produção de cana
Região
Produção estimada
Sudeste
451,4 milhões t
Centro-Oeste
157,0 milhões t
Nordeste
55,5 milhões t
Sul
37,3 milhões t
Norte
4,1 milhões t
Brasil
705,2 milhões t
São Paulo permanece como o principal estado produtor, com estimativa de 362,8 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27.
Companhia Nacional de Abastecimento
4. O mix de açúcar e etanol
O mix representa a proporção da cana direcionada para a fabricação de açúcar ou de etanol. Essa decisão depende dos preços de venda, dos custos de produção, da eficiência industrial e das condições comerciais de cada usina.
Mix acumulado até junho de 2026 no Centro-Sul
Dados divulgados pela Unica e reportados pela Reuters.
Etanol
57,48%
Açúcar
42,52%
No mesmo período da safra anterior, o mix era de 48,96% para etanol e 51,04% para açúcar.
UOL Economia
Quando o etanol apresenta melhor retorno econômico em relação ao açúcar, as usinas podem direcionar uma parcela maior da cana para o combustível. Isso reduz a quantidade potencial de açúcar disponível, podendo contribuir para sustentar as cotações, caso a demanda permaneça firme.
Por outro lado, quando o açúcar oferece maior rentabilidade, as usinas podem aumentar sua produção, ampliando a oferta para o mercado interno e para exportação.
5. Os principais fatores que fazem o mercado oscilar
China – Importações e demanda internacional
A China é um dos principais compradores de açúcar do mundo. Quando aumenta suas importações, pode absorver uma parcela maior da oferta exportável, favorecendo os preços internacionais. Quando reduz as compras ou utiliza estoques internos, pode diminuir a pressão compradora.
Os dados de agosto de 2026 mostram recuperação mensal das importações chinesas, mas ainda com volumes acumulados inferiores aos de 2025. Portanto, será importante acompanhar se essa recuperação se mantém.
Índia – Exportações e abastecimento interno
A Índia é um dos maiores produtores mundiais. Quando possui excedentes e autoriza exportações, pode aumentar a oferta disponível no mercado internacional e pressionar os preços.
Quando a produção é menor, o consumo interno cresce ou o governo restringe embarques, a oferta mundial pode ficar mais limitada. As restrições divulgadas para 2026 até 30 de setembro são um ponto de atenção, especialmente diante das incertezas sobre a próxima safra.
Reuters
+1
Brasil – Exportações e disponibilidade
O Brasil tem papel central no abastecimento internacional. O volume exportado depende da produção, da competitividade do açúcar brasileiro, do câmbio, da logística portuária e dos contratos já negociados.
Uma oferta brasileira elevada pode pressionar os preços internacionais, especialmente quando coincide com uma demanda mais fraca. Já atrasos na colheita, problemas logísticos ou menor produção podem limitar a disponibilidade para embarque e dar sustentação às cotações.
Mix de etanol e açúcar – A escolha das usinas
O preço relativo do açúcar e do etanol influencia a destinação da cana. Se o etanol apresentar maior retorno, a produção de açúcar pode diminuir. Se o açúcar oferecer melhor remuneração, as usinas podem ampliar a fabricação do adoçante.
A política de mistura de etanol à gasolina também pode elevar a demanda pelo biocombustível e alterar a decisão industrial.
Petróleo – Influência sobre o etanol
A elevação do petróleo pode melhorar a competitividade do etanol em relação à gasolina, dependendo dos preços internos dos combustíveis e dos custos de produção. Isso pode incentivar as usinas a destinar mais cana ao etanol, reduzindo a oferta potencial de açúcar.
Porém, a relação não é automática. Se o petróleo cair, o etanol pode perder competitividade, mas o efeito sobre o açúcar dependerá também do câmbio, dos preços futuros e da rentabilidade de cada produto.
Clima e produtividade
Chuvas excessivas podem interromper a colheita e dificultar o transporte da cana. A estiagem, por sua vez, pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras e reduzir a produtividade.
A qualidade da cana, medida pelo ATR (Açúcar Total Recuperável), também influencia o rendimento industrial. Por isso, o mercado acompanha as condições climáticas e os dados quinzenais de moagem e produção.
6. Entressafra brasileira e perspectivas
A entressafra do Centro-Sul costuma ganhar importância a partir do último trimestre do ano, com a redução gradual das atividades de moagem e a paralisação de parte das unidades industriais. Nesse período, o mercado passa a observar com mais atenção os estoques disponíveis, os compromissos de exportação e a capacidade das usinas de manter o abastecimento.
Para a entressafra de 2026/27, alguns fatores merecem acompanhamento:
Disponibilidade de açúcar: a redução da moagem pode diminuir o fluxo de produto novo para o mercado, aumentando a importância dos estoques.
Clima no encerramento da safra: as chuvas podem atrasar a colheita e comprometer o volume de cana processada até o fim do ciclo.
Exportações brasileiras: o ritmo dos embarques e a disponibilidade nos terminais portuários serão fundamentais para a formação dos preços.
Etanol: uma demanda mais firme pelo biocombustível pode continuar influenciando a distribuição da cana entre os dois produtos.
Oferta mundial: a produção da Índia, da Tailândia e de outros países poderá compensar, parcialmente, uma eventual redução da disponibilidade brasileira.
Perspectivas para a entressafra
Cenários condicionais, não previsões de preço
Cenário de sustentação
Uma redução significativa da moagem brasileira, estoques mais limitados e menor disponibilidade de açúcar de outros países podem contribuir para sustentar os preços. Uma demanda internacional firme reforçaria esse movimento.
Cenário de estabilidade
Caso os estoques brasileiros sejam suficientes para atender aos compromissos comerciais e a demanda mundial permaneça equilibrada, os preços poderão apresentar oscilações dentro de uma faixa, acompanhando o clima, o câmbio e os contratos futuros.
Cenário de pressão
Uma recuperação da produção brasileira, maior oferta de outros exportadores ou redução da demanda compradora poderá limitar as cotações, mesmo com a chegada da entressafra.
7. Análise do indicador CEPEA/ESALQ
O indicador informado de R$ 120,62 por saca de 50 kg, equivalente a US$ 23,24, representa uma referência para o mercado físico paulista em 25 de setembro.
A variação diária de -0,42% indica um recuo moderado em relação ao pregão anterior. Isoladamente, essa movimentação não representa uma mudança definitiva de tendência. É importante observar a sequência dos indicadores, a evolução dos contratos em Nova York e Londres e a disponibilidade efetiva de açúcar nas usinas.
O que observar nos próximos pregões:
A continuidade ou não das perdas de produção causadas pelas chuvas no Centro-Sul.
O comportamento do contrato de açúcar bruto em Nova York e do açúcar branco em Londres.
O ritmo dos embarques brasileiros e a procura dos compradores internacionais.
A evolução do dólar frente ao real, que influencia a receita das exportações.
Os preços do etanol hidratado e anidro no mercado interno.
CONCLUSÃO • RADAR DANCOR
O mercado de açúcar entra na reta final de setembro com atenção concentrada na produção brasileira e na disponibilidade global. A redução estimada da moagem na primeira quinzena de setembro, provocada pelas chuvas, é um fator relevante para o equilíbrio da oferta, enquanto as importações chinesas e a política de exportação indiana continuam sendo determinantes para a dinâmica internacional.
Para a entressafra, o principal ponto será o equilíbrio entre o volume de açúcar produzido, os estoques disponíveis e o ritmo da demanda. A evolução do mix de etanol e açúcar poderá alterar esse balanço, especialmente se houver mudanças na rentabilidade dos dois produtos.
Acompanhar os dados de produção, os embarques e o comportamento dos contratos futuros será essencial para entender a direção do mercado nas próximas semanas.
Nota: o indicador CEPEA/ESALQ de 25/09/2026 foi fornecido pelo usuário. As notícias e projeções citadas foram localizadas nas fontes indicadas; as perspectivas são análises condicionais, e não garantias de comportamento dos preços.
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RADAR DO AÇÚCAR DANCOR • 28/09/2026