RADAR DO AÇÚCAR DANCOR
Mercado de açúcar — 23 a 24 de setembro de 2026
Leitura atual: o mercado brasileiro continua sustentado por uma combinação de chuvas no Centro-Sul, redução das projeções de produção de açúcar, mix mais favorável ao etanol e preocupação com a oferta mundial. Ao mesmo tempo, a demanda chinesa ainda está abaixo do ano passado e o Brasil continua colocando bastante açúcar no mercado externo, fatores que limitam uma alta mais forte.
📊 INDICADOR CEPEA/ESALQ — 23/09/2026
Açúcar Cristal Branco — São Paulo
R$ 120,08/saca de 50 kg
US$ 23,24/saca
Variação diária: -0,59%
O indicador recuou R$ 0,71/saca no dia, mostrando uma realização depois da sequência de preços próximos de R$ 120/saca.
O dado de 23/09 é confirmado pelo histórico de cotações do setor sucroenergético.
Leitura Dancor: a queda de ontem, isoladamente, não muda o quadro fundamental. O mercado está oscilando entre dois vetores: oferta brasileira ainda elevada no curto prazo versus risco de menor disponibilidade de açúcar no final da safra e durante 2027.
🌎 O QUE ACONTECEU ONTEM — 23/09
🇧🇷 1. Chuvas voltaram a preocupar o mercado brasileiro
O açúcar internacional reagiu ontem às preocupações com o clima no Brasil.
O contrato NY Sugar #11 outubro/26 fechou a 17,75 cents/lb, alta de 0,91%, enquanto o açúcar branco de Londres dezembro/26 caiu 0,37%. O principal fator de sustentação em Nova York foi a possibilidade de as chuvas reduzirem o ritmo de colheita no Centro-Sul brasileiro.
Notícia sobre açúcar e chuvas no Brasil — Reuters/Barchart
Para o Brasil: chuva nesta fase da safra tem dois efeitos diferentes:
- atrasa a colheita;
- pode reduzir a qualidade/ATR da cana;
- dificulta a produção de açúcar;
- mas também pode favorecer o desenvolvimento da cana que permanecerá no campo para o próximo ciclo.
🇧🇷 2. PRODUÇÃO BRASILEIRA: O PONTO MAIS IMPORTANTE DO MOMENTO
Aqui está uma das informações mais relevantes para o mercado.
A StoneX reduziu sua estimativa de moagem do Centro-Sul 2026/27 para 635,3 milhões de toneladas, contra 640,1 milhões anteriormente. A consultoria estima ainda produção de açúcar de aproximadamente 38 milhões de toneladas no Centro-Sul.
Mais importante: a StoneX estima que aproximadamente 10 milhões de toneladas de cana poderão ser colhidas em março de 2027 e outras 22 milhões de toneladas poderão ficar para a safra 2027/28.
Ou seja, as chuvas estão criando uma quantidade relevante de cana bisada.
StoneX/CNN Brasil — revisão da safra 2026/27
O que isso significa na prática?
Não significa necessariamente que haverá falta de açúcar no Brasil.
Significa que parte da oferta que normalmente estaria disponível no final de 2026 poderá ser deslocada para 2027.
Isso é importante principalmente para o período de entressafra.
🏭 3. CONAB: MAIS CANA, MAS MENOS AÇÚCAR
A segunda estimativa oficial da Conab para a safra brasileira 2026/27 prevê:
| Indicador | Safra 2026/27 |
|---|---|
| Cana-de-açúcar | 705,2 milhões t |
| Açúcar | 42,89 milhões t |
| Etanol de cana | 29,98 bilhões litros |
| Etanol total | 41,88 bilhões litros |
A Conab projeta +4,7% na produção de cana, mas -2,9% na produção de açúcar e +9,7% no etanol de cana.
Conab — 2º Levantamento da Safra 2026/27
Isso explica uma coisa importante:
Mais cana não significa automaticamente mais açúcar.
A usina decide para onde direcionar a matéria-prima:
CANA → AÇÚCAR ou ETANOL
E essa decisão depende principalmente de:
- preço do açúcar;
- preço do etanol;
- petróleo;
- câmbio;
- disponibilidade de cana;
- ATR;
- demanda doméstica;
- oportunidades de exportação.
🍶 4. MIX AÇÚCAR x ETANOL
Esse é um dos principais fatores que podem mexer com o preço nos próximos meses.
A elevação do percentual obrigatório de etanol na gasolina para E32 aumentou a demanda potencial pelo biocombustível. A própria Conab aponta esse fator como estímulo para maior direcionamento da cana ao etanol.
Além disso, análises recentes indicam que algumas regiões do Centro-Sul estão encontrando maior atratividade relativa no etanol.
A consequência é simples:
Mais cana para etanol → menos açúcar disponível → fator de sustentação para o açúcar.
Por outro lado:
Açúcar internacional sobe bastante → açúcar fica mais rentável → usina pode mudar o mix para açúcar.
É exatamente essa disputa que o mercado está acompanhando.
🇨🇳 5. CHINA: IMPORTAÇÃO AINDA ABAIXO DE 2025
A China continua sendo um ponto importante de atenção.
Em agosto, a China importou aproximadamente 650 mil toneladas de açúcar, o maior volume mensal de 2026 até então.
Porém, o acumulado de janeiro a agosto chegou a aproximadamente 2,25 milhões de toneladas, ainda 13,5% abaixo do mesmo período de 2025.
China — dados recentes de importação de açúcar
Para o mercado:
China importando mais → positivo para açúcar.
China importando menos → pressão sobre NY/Londres.
Portanto, hoje a China ainda não está proporcionando o mesmo nível de demanda externa que poderia ser observado caso as importações recuperassem totalmente o ritmo de 2025.
Esse é um dos fatores que impede uma alta mais consistente das bolsas.
🇮🇳 6. ÍNDIA: UM DOS PRINCIPAIS PONTOS DE ATENÇÃO
A Índia continua sendo um fator importante.
O país proibiu as exportações de açúcar até 30 de setembro de 2026, numa tentativa de controlar o abastecimento e os preços internos.
Reuters — Índia mantém restrições às exportações de açúcar
Ao mesmo tempo, a Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro, por meio de uma cota tarifária.
Governo da Índia — cota para importação de açúcar bruto
O que isso mostra?
A Índia normalmente é um grande exportador.
Agora temos uma situação diferente:
Índia restringindo exportações + permitindo importações = sinal de aperto no mercado doméstico indiano.
Isso tende a reduzir a disponibilidade potencial de açúcar indiano para o mercado internacional.
A grande questão para as próximas semanas será:
O que a Índia fará depois de 30 de setembro?
Se houver liberação significativa das exportações, poderá aparecer pressão sobre NY.
Se as restrições continuarem, o mercado poderá interpretar como mais um fator de aperto da oferta mundial.
🚢 7. EXPORTAÇÕES DE AÇÚCAR DO BRASIL
O Brasil continua sendo o grande fornecedor mundial.
Na parcial de setembro, até os primeiros oito dias úteis, o país havia exportado aproximadamente 1,20 milhão de toneladas de açúcar, com preço médio de US$ 364,70/t.
Além disso, o line-up indicava aproximadamente 2,65 milhões de toneladas programadas para embarque, sendo cerca de 2,05 milhões pelo Porto de Santos.
Safras & Mercado — line-up de açúcar nos portos brasileiros
Leitura Dancor
Esse é um ponto que merece atenção:
O Brasil está exportando bastante açúcar.
Isso ajuda a abastecer o mercado internacional e limita uma alta exagerada no curto prazo.
Mas existe uma contradição:
Brasil exporta muito agora → pressão de oferta no curto prazo.
Brasil produz menos açúcar e pode carregar cana para 2027 → preocupação com disponibilidade futura.
É justamente essa diferença entre curto prazo e entressafra que está deixando o mercado bastante volátil.
🛢️ 8. PETRÓLEO: POR QUE ELE MEXE COM O AÇÚCAR?
O petróleo voltou a ganhar importância.
Na quarta-feira, 23/09, o Brent fechou em aproximadamente US$ 103,08/barril, alta de 3,86%, enquanto o WTI subiu 1,81%, para US$ 92,16.
Na manhã desta quinta-feira, 24/09, o Brent recuava para aproximadamente US$ 102,13, enquanto o WTI estava perto de US$ 91,56.
Reuters — petróleo e mercado de energia em 24/09/2026
A relação com açúcar é direta:
Petróleo sobe
↓
gasolina fica mais cara
↓
etanol ganha competitividade
↓
usinas podem aumentar o interesse pelo etanol
↓
menos açúcar disponível
↓
potencial de sustentação para o açúcar.
Mas existe também o movimento contrário:
Petróleo cai → etanol perde competitividade → açúcar pode ganhar participação no mix.
Por isso o petróleo é uma variável que o mercado de açúcar acompanha diariamente.
🌾 9. ENTRESSAFRA BRASILEIRA: O QUE PODE ACONTECER?
Aqui está, na minha leitura, um dos pontos mais importantes para os próximos meses.
A StoneX estima que 22 milhões de toneladas de cana poderão ser carregadas para a safra 2027/28, além de aproximadamente 10 milhões de toneladas que poderiam ser colhidas em março.
Isso pode ajudar a próxima safra.
Mas, para o açúcar, existe uma questão:
Outubro a dezembro de 2026
Ainda teremos bastante açúcar brasileiro chegando ao mercado.
Pressão de oferta relativamente elevada.
Janeiro a março de 2027
A disponibilidade brasileira começa a diminuir.
Mercado começa a olhar para estoques.
Entressafra
O Brasil deixa de ser o grande fornecedor marginal de açúcar durante alguns meses.
Nesse período, o mercado passa a depender mais de:
- estoques;
- Índia;
- Tailândia;
- Europa;
- fluxos do Brasil;
- demanda da China;
- ritmo das importações;
- câmbio;
- petróleo.
A StoneX considera que o mercado mundial poderá ficar mais apertado no primeiro semestre de 2027, justamente quando o Brasil estará na entressafra.
⚠️ 10. POR QUE O MERCADO DO AÇÚCAR ESTÁ OSCILANDO TANTO?
Hoje podemos resumir os principais fatores em 8 pontos:
🔴 Pressão baixista
- Brasil ainda exportando grandes volumes
- China importando menos que em 2025
- Possibilidade de aumento das exportações indianas após setembro
- Demanda física internacional ainda não tão forte quanto o mercado gostaria
🟢 Sustentação
- Chuvas atrasando a colheita brasileira
- Redução das projeções de produção de açúcar
- Maior direcionamento da cana para etanol
- Risco de menor disponibilidade durante a entressafra de 2027
E ainda temos:
petróleo + câmbio + fundos especulativos + clima + fretes + logística portuária.
📈 LEITURA DANCOR — 24/09/2026
O mercado está em uma espécie de disputa entre oferta imediata e aperto futuro.
O preço CEPEA de R$ 120,08/saca continua em um patamar elevado, mas a queda de 0,59% ontem mostra que compradores e vendedores ainda estão disputando preço.
No exterior, o NY #11 outubro fechou ontem em 17,75 cents/lb, enquanto março/27 fechou em 18,80 cents/lb.
Isso é interessante porque a curva futura continua mostrando preços relevantes para 2027.
Minha leitura técnica/fundamental:
Curto prazo:
mercado ainda pode sofrer oscilações e realizações devido ao volume de açúcar brasileiro disponível.
Médio prazo:
chuvas, menor produção de açúcar e mix para etanol passam a ganhar importância.
Entressafra:
o mercado poderá ficar mais sensível caso os estoques brasileiros e internacionais não sejam suficientes para atender a demanda até a entrada mais forte da nova safra.
Principal risco baixista:
China continuar comprando pouco + Brasil exportar agressivamente + Índia voltar a exportar volumes relevantes.
Principal risco altista:
chuvas continuarem atrasando a colheita + produção brasileira de açúcar ficar abaixo das projeções + Índia manter restrições + demanda chinesa acelerar.
🎯 RESUMO EM 30 SEGUNDOS
CEPEA: R$ 120,08/saca (-0,59%)
NY #11 out/26: 17,75 c/lb (+0,91%)
Londres dez/26: US$ 506/t (-0,37%)
Brasil: produção de açúcar sendo revisada para baixo por algumas consultorias.
Chuvas: continuam sendo fator de atenção para o ritmo da colheita.
Etanol: E32 aumenta a importância do biocombustível no mix.
China: importações 2026 ainda 13,5% abaixo de 2025 no acumulado até agosto.
Índia: exportações restritas até 30/09 e importação de 1 milhão t autorizada.
Brasil exportador: line-up elevado, com Santos concentrando grande parte dos embarques.
Petróleo: acima de US$ 100/barril, mantendo o etanol relevante na decisão das usinas.
Entressafra: começa a ganhar importância para a formação dos preços de 2027.
🔎 O que acompanhar agora
1. Chuvas no Centro-Sul
2. Próximos números de moagem da UNICA
3. Mix açúcar/etanol
4. Decisão da Índia após 30/09
5. Próximos números de importação da China
6. Exportações brasileiras e line-up de Santos
7. Petróleo Brent
8. Câmbio R$/US$
9. Evolução dos estoques até a entressafra
📌 RADAR DO AÇÚCAR DANCOR
Mercado ainda volátil, com oferta brasileira forte no curto prazo, mas fundamentos mais apertados para a entressafra de 2027.
Dancor Corretora de Açúcar
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