Índia continua sendo um dos principais pontos de atenção

RADAR DO AÇÚCAR DANCOR — 26/08/2026

Indicador CEPEA/ESALQ — São Paulo

25/08/2026: R$ 106,52/saca de 50 kg
Equivalente: US$ 20,70/saca
Variação no dia: +0,96%

O mercado físico paulista mantém uma trajetória firme, com o açúcar cristal avançando para a região de R$ 106,50/saca. O cenário doméstico está sendo influenciado por uma combinação de oferta, exportação, câmbio, mercado internacional e expectativa para o avanço da entressafra.


📰 Principais notícias e acontecimentos

1. Índia: importação de açúcar perde força

Uma das notícias mais importantes de ontem foi a indicação de que as usinas e refinarias indianas poderão importar apenas cerca de 500 mil toneladas, metade da cota de 1 milhão de toneladas autorizada pelo governo.

A queda dos preços internos indianos reduziu a margem de importação. Além disso, as usinas esperam aumento da oferta doméstica a partir de outubro, quando começa a nova moagem.

Reuters — India’s sugar mills, refiners seen importing just half of duty-free quota

Impacto para o mercado: inicialmente, a autorização de importação indiana foi extremamente altista para o açúcar mundial. Agora, a expectativa de uma importação efetiva menor reduz parte dessa pressão.


2. Índia continua sendo um dos principais pontos de atenção

A Índia autorizou recentemente a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa, pela primeira vez em quase uma década. A medida ocorreu depois de uma forte alta dos preços domésticos e preocupação com os estoques antes do período de festas.

Ao mesmo tempo, uma associação do setor afirmou que a alta dos preços indianos tinha forte componente especulativo e que os estoques ainda seriam suficientes para atender ao consumo da temporada de festas.

Resumo: a Índia deixou de ser apenas uma variável de exportação e passou a ser também uma possível fonte de demanda internacional, mas o tamanho efetivo dessa demanda ainda é uma incógnita.


🌦️ 3. Clima: o mercado continua muito sensível

O clima é um dos principais fatores de risco para o açúcar.

No Brasil, chuvas fora do padrão podem atrasar a colheita, reduzir a concentração de ATR e dificultar a operação das usinas. Na safra 2026/27, as chuvas e a umidade já alteraram a dinâmica de maturação da cana no Centro-Sul.

O acompanhamento da Conab também mostra que as condições das lavouras continuam sendo monitoradas durante o período de colheita.

Na prática:
🌧️ Mais chuva → dificuldade de colheita → menor oferta imediata → tendência de sustentação dos preços.
☀️ Tempo seco e favorável → maior ritmo de moagem → maior disponibilidade → pressão sobre os preços.


🇨🇳 4. China: importante comprador para o Brasil

A China continua sendo uma variável importante para o mercado brasileiro.

A previsão do USDA para 2026/27 indica importações chinesas próximas de 2,4 milhões de toneladas, com o açúcar bruto brasileiro respondendo pela maior parte desse volume.

Na temporada brasileira 2025/26, a China foi o principal destino do açúcar brasileiro, com aproximadamente 4,6 milhões de toneladas, ou 13% das exportações brasileiras.

O que observar: quando a China aumenta compras e reposição de estoques, o Brasil ganha um importante comprador marginal. Se a China reduz compras, aumenta a disponibilidade de açúcar no mercado internacional e pode pressionar NY#11.


🇮🇳 5. Exportações da Índia

A Índia também está em uma situação bastante diferente do habitual.

O país havia autorizado exportações, mas a combinação de preços domésticos elevados, estoques menores e necessidade de abastecimento interno mudou completamente o cenário.

Segundo dados divulgados pela Reuters, a Índia produziu 27,9 milhões de toneladas na temporada atual, enquanto cerca de 3 milhões de toneladas foram direcionadas para etanol. Até o momento, aproximadamente 800 mil toneladas foram exportadas de uma autorização de 2 milhões.

Para o açúcar brasileiro, isso é importante: quanto menor a disponibilidade da Índia para exportação, maior a importância do Brasil no abastecimento internacional.


🇧🇷 6. Brasil: exportação continua muito importante

O Brasil permanece como o principal fornecedor mundial de açúcar.

Na primeira metade de agosto, havia 2,577 milhões de toneladas de açúcar programadas para embarque nos portos brasileiros, sendo aproximadamente 2,071 milhões de toneladas pelo Porto de Santos.

Na parcial de agosto citada pela Safras, as exportações brasileiras somavam 720,8 mil toneladas, com preço médio de US$ 329,70/t.

O Ministério da Agricultura mantém o acompanhamento oficial das exportações brasileiras de açúcar por destino e local de embarque.

Leitura para o mercado: o Brasil continua tendo capacidade de abastecer o mercado internacional, mas o ritmo de exportação precisa ser acompanhado junto com NY#11, câmbio e disponibilidade física.


🥃 7. Mix açúcar x etanol — uma das principais variáveis

Aqui está um dos pontos mais importantes para entender o mercado brasileiro.

A mesma cana pode ser direcionada para açúcar ou etanol.

Quando o etanol fica mais rentável, a usina aumenta sua produção de biocombustível e reduz potencialmente a quantidade de açúcar disponível.

Quando o açúcar apresenta melhor remuneração, aumenta o incentivo para produzir açúcar.

Análises recentes para a safra 2026/27 apontam que a decisão entre açúcar e etanol continua bastante dinâmica, especialmente porque preços relativos e câmbio alteram rapidamente a rentabilidade das duas alternativas.

Regra simples para o produtor/trader:

Etanol mais atrativo → menos açúcar → suporte aos preços do açúcar.

Açúcar mais atrativo → mais açúcar → maior oferta → pressão sobre os preços.


🛢️ 8. Petróleo: por que influencia o açúcar?

O petróleo influencia principalmente através do etanol.

Quando o petróleo sobe, os combustíveis fósseis tendem a ficar mais caros e o etanol ganha competitividade.

Isso pode estimular as usinas brasileiras a destinarem mais cana para etanol, reduzindo a oferta potencial de açúcar.

Ontem, 25/08, o petróleo caiu forte: o Brent chegou a aproximadamente US$ 86,33/barril, após notícias de negociações envolvendo Irã e Omã e possível reabertura do Estreito de Ormuz.

Hoje, 26/08, o Brent continuava próximo de US$ 86,45/barril.

Portanto, neste momento o petróleo não está oferecendo o mesmo suporte altista que poderia oferecer em um cenário de petróleo muito mais elevado.


🌾 9. Entressafra: o que podemos esperar?

Estamos entrando progressivamente em um período em que a disponibilidade de cana começa a ficar mais limitada.

A questão principal para o mercado físico será:

Quanto açúcar ainda estará disponível para comercialização antes da redução efetiva da oferta de cana?

Se houver:

  • menor disponibilidade de cana;
  • problemas climáticos;
  • redução do ATR;
  • maior direcionamento para etanol;
  • exportações firmes;
  • demanda doméstica consistente;

➡️ o mercado pode continuar sustentado.

Por outro lado:

  • clima favorável;
  • moagem forte;
  • boa produtividade;
  • aumento da oferta física;
  • exportações mais lentas;
  • NY#11 sem força;
  • petróleo recuando;

➡️ podem limitar novas altas.


📊 Minha leitura do mercado — 26/08/2026

🟢 Fatores de sustentação

Indicador CEPEA/ESALQ em R$ 106,52/saca
Oferta brasileira entrando gradualmente em período de menor disponibilidade
Risco climático
Índia com necessidade potencial de importação
China continua importante para o fluxo brasileiro
Possibilidade de maior direcionamento de cana para etanol

🔴 Fatores de pressão

Índia pode importar apenas cerca de metade da cota autorizada
Petróleo perdeu força nos últimos dias
Brasil continua com grande capacidade exportadora
Ritmo de embarques brasileiros permanece elevado
Mercado internacional ainda pode realizar lucros depois da forte valorização recente


🎯 CONCLUSÃO DANCOR

O mercado do açúcar entrou em uma fase de disputa entre oferta e demanda.

O preço de R$ 106,52/saca mostra um mercado físico paulista firme, mas o cenário internacional exige atenção.

A Índia é hoje um dos principais pontos de volatilidade: a autorização para importar 1 milhão de toneladas foi inicialmente muito altista, mas a expectativa de que apenas metade desse volume seja efetivamente importada reduziu parte do entusiasmo.

A China continua sendo estratégica para o Brasil, enquanto o clima e a evolução da moagem no Centro-Sul serão fundamentais para determinar a disponibilidade de açúcar nos próximos meses.

No Brasil, o mix açúcar/etanol continua sendo uma variável decisiva. E o petróleo precisa ser acompanhado diariamente porque uma recuperação forte do Brent pode aumentar a atratividade do etanol e, consequentemente, limitar a produção de açúcar.

Para a entressafra, nossa leitura é de mercado com viés ainda sustentado, porém com elevada volatilidade. O produtor deve acompanhar principalmente CEPEA, NY#11, dólar, petróleo, ritmo de moagem, exportações e comportamento da demanda doméstica.

Ponto de atenção: o mercado já subiu bastante e pode apresentar correções rápidas. Portanto, não basta olhar somente o preço do açúcar: é fundamental observar a relação entre açúcar × etanol × petróleo × câmbio × exportação.

📌 DANCOR CORRETORA DE AÇÚCAR

WhatsApp: 16 99229-2104
Site: www.dancorretora.com.br

Fontes: Reuters, USDA/FAS, Conab, Ministério da Agricultura, UNICA, Safras & Mercado, CZ e Agrishow.

Reuters — mercado de açúcar e Índia
USDA — Sugar: World Markets and Trade
Conab — Acompanhamento das Lavouras 17 a 23/08/2026
Ministério da Agricultura — Comércio Exterior do Açúcar
Safras & Mercado — Line-up de açúcar

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