Radar do Açúcar Dancor — 13 de outubro de 2026
O mercado internacional de açúcar está sob influência de um fator especialmente importante neste momento: as chuvas excessivas no Centro-Sul do Brasil, que podem atrasar a colheita e reduzir o volume de açúcar disponível para exportação.
O indicador CEPEA/ESALQ informado para 09/10/2026 foi de R$ 123,16 por saca de 50 kg (US$ 24,71/saca), com alta diária de 0,46%. Esse é o dado que você forneceu como referência para o boletim; não consegui confirmar independentemente essa cotação.
1. Notícias relevantes de 9 a 13 de outubro
Brasil: chuvas prejudicam a produção de açúcar
9 de outubro — S&P Global / Platts
Pesquisa com analistas projetou produção de açúcar do Centro-Sul de 2,70 milhões de toneladas na segunda quinzena de setembro, queda de 14,3% na comparação anual. A moagem de cana estimada recuou 5,5%, para 38,73 milhões de toneladas.
S&P Global
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Açúcar em Nova York: chuvas sustentam os preços
13 de outubro — Reuters, via Business Recorder
O açúcar bruto subiu 2,3% na segunda-feira, 12/10, para 20,72 centavos de dólar por libra-peso. O mercado reagiu às preocupações com o excesso de chuvas no Brasil e às perspectivas de oferta menos favoráveis em outras regiões produtoras.
Business Recorder
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Europa: menor safra de beterraba reforça atenção à oferta
8 de outubro — Reuters
A Südzucker, uma das principais produtoras europeias, sinalizou possibilidade de recuperação dos preços diante da redução esperada na colheita de beterraba, associada à seca e à baixa precipitação. Parte da produção também compete com a destinação para etanol.
Reuters
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Petróleo: energia continua influenciando o açúcar
13 de outubro — Reuters
O Brent recuou para US$ 105,03 por barril e o WTI para US$ 92,08. O petróleo influencia a competitividade do etanol e, indiretamente, a decisão das usinas brasileiras entre produzir açúcar ou biocombustível. A relação, porém, depende também dos preços relativos do açúcar, do etanol e do câmbio.
Reuters
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2. Indicador CEPEA/ESALQ e leitura do mercado
AÇÚCAR CRISTAL BRANCO — SÃO PAULO
R$ 123,16
Por saca de 50 kg • Referência: 09/10/2026
+0,46%
Variação diária informada
Equivalente em dólar informado
US$ 24,71/saca
Fonte de referência: CEPEA/ESALQ — consultar o indicador oficial. A cotação acima foi fornecida pelo solicitante.
O que aconteceu no mercado?
Na sexta-feira, 9 de outubro, o mercado internacional passou por uma correção: o açúcar bruto caiu 1,9%, para 20,44 centavos de dólar por libra-peso, depois de ter atingido uma máxima de 19 meses. Os operadores avaliaram que parte da alta motivada pelas preocupações climáticas poderia ter sido exagerada.
Business Recorder
Na segunda-feira, 12 de outubro, o movimento mudou de direção: os preços internacionais subiram 2,3%, para 20,72 centavos de dólar por libra-peso. Isso demonstra como o mercado continua sensível às notícias sobre chuvas, moagem e oferta futura.
Business Recorder
Em linguagem simples: o mercado está tentando descobrir quanto açúcar o Brasil conseguirá efetivamente produzir e embarcar antes do fim da safra. Quando os investidores temem falta de produto, os preços tendem a subir; quando consideram a alta exagerada ou esperam recuperação da oferta, podem recuar.
3. Como está a produção de açúcar no Brasil?
O Brasil continua sendo o principal fornecedor mundial de açúcar. Entretanto, a produção efetiva da safra 2026/27 pode ficar abaixo das expectativas iniciais, especialmente no Centro-Sul.
Chuvas acima do normal
O excesso de umidade dificulta a entrada das máquinas nos canaviais, interrompe a colheita e reduz o tempo disponível para moagem nas usinas.
Menor ritmo industrial
A pesquisa da S&P Global/Platts projetou 2,70 milhões de toneladas de açúcar na segunda quinzena de setembro, 14,3% abaixo do mesmo período do ano anterior. É uma estimativa de analistas, não o resultado oficial consolidado.
S&P Global
Impacto nos embarques
A chuva também pode atrasar o carregamento nos portos. Se os navios demorarem mais para receber a mercadoria, a oferta disponível no mercado internacional pode ficar temporariamente mais apertada.
C-Level
Há uma diferença importante entre a projeção de produção divulgada antes da safra e o volume que será efetivamente obtido. O USDA projetava inicialmente 675 milhões de toneladas de cana para o Brasil em 2026/27, mas esse número é uma previsão agrícola, não uma confirmação do resultado final.
Public Distribution
4. Os seis fatores que podem movimentar o mercado
1. Clima e produção brasileira
Mais chuvas durante a colheita podem reduzir a moagem e deixar cana para processamento posterior. Se a produção de açúcar cair mais do que o esperado, o mercado pode ganhar sustentação. Se o clima melhorar e as usinas recuperarem o ritmo, a pressão de alta pode diminuir.
2. Importações da China
A China é um comprador importante no mercado internacional. Entre janeiro e agosto de 2026, importou 2,25 milhões de toneladas, 13,5% menos que no mesmo período de 2025. Em agosto, porém, as importações chegaram a 650 mil toneladas, o maior volume mensal do ano até então.
agrospectrumasia.com
Impacto: se as compras chinesas aumentarem, podem sustentar as cotações; se permanecerem fracas, podem limitar a valorização.
3. Exportações da Índia
A produção indiana também merece atenção. Em 8 de outubro, uma estimativa do USDA reduziu a previsão de produção de açúcar da Índia para 29,5 milhões de toneladas em 2026/27, ante 33,6 milhões anteriormente, devido ao déficit de chuvas e aos riscos para a produtividade da cana.
finance.yahoo.com
Impacto: uma safra menor pode restringir as exportações indianas e favorecer os preços internacionais. Uma liberação maior de exportações teria o efeito contrário.
4. Mix entre açúcar e etanol
As usinas escolhem como distribuir a cana entre os dois produtos. Se o açúcar oferecer maior rentabilidade, o mix pode aumentar e ampliar a oferta exportável. Se o etanol ficar mais atrativo, parte da matéria-prima será desviada da produção de açúcar.
A estimativa inicial do USDA para 2026/27 indicava mix de 48% para açúcar e 52% para etanol. O resultado efetivo pode mudar com preços, clima e condições operacionais.
Public Distribution
5. Exportações brasileiras
O Brasil é decisivo para o abastecimento mundial. Uma combinação de menor produção, atrasos portuários e compromissos de embarque elevados pode apertar a oferta no curto prazo. Uma recuperação dos embarques ou uma produção superior às expectativas pode aliviar os preços.
Para avaliar o cenário, é importante acompanhar os dados oficiais de exportação, a programação de navios e as atualizações de moagem da UNICA.
6. Petróleo e câmbio
Petróleo mais caro pode aumentar a atratividade econômica do etanol e incentivar as usinas a destinarem mais cana ao combustível, dependendo dos preços relativos. Isso pode reduzir a oferta de açúcar.
Já o petróleo em queda pode enfraquecer esse incentivo. O efeito não é automático: preços do etanol, gasolina, açúcar em Nova York e dólar frente ao real também entram na conta.
5. Entressafra: o que esperar nos próximos meses?
A entressafra é o período em que a moagem de cana diminui ou termina em determinadas regiões, antes do início do próximo ciclo. No Centro-Sul, o calendário varia entre usinas e regiões, e algumas unidades podem continuar operando enquanto outras encerram a safra.
Três cenários para acompanhar
Cenário de alta
Chuvas persistentes, moagem menor, atrasos nos portos e menor disponibilidade internacional. O mercado pode exigir preços mais altos para equilibrar a oferta e a demanda.
Cenário lateral
A redução da produção brasileira é compensada por estoques, ajustes na demanda ou oferta de outros países. Os preços oscilam conforme saem os dados de moagem e exportação.
Cenário de baixa
O clima melhora, as usinas recuperam parte da moagem, os embarques avançam e a demanda internacional não acompanha a oferta. Nesse caso, a alta pode perder força.
Minha leitura: a entressafra merece atenção redobrada porque a combinação de menor moagem e dificuldades logísticas pode limitar a disponibilidade imediata de açúcar. Porém, não é correto afirmar que os preços necessariamente subirão. O tamanho da safra brasileira, o volume exportado, a demanda chinesa e a oferta da Índia serão determinantes.
6. O que acompanhar diariamente
– CEPEA/ESALQ: preço do cristal branco em São Paulo.
– ICE Nova York — contrato nº 11: preço internacional do açúcar bruto.
– ICE Londres — contrato nº 5: referência para açúcar branco.
– UNICA: moagem, produção de açúcar e etanol e mix do Centro-Sul.
– Comex Stat / MDIC: exportações brasileiras realizadas.
– China e Índia: importações, produção, estoques e decisões sobre exportação.
– Petróleo e câmbio: competitividade do etanol e receita em reais das exportações.
Fontes para consulta: CEPEA/ESALQ · UNICA · Comex Stat · ICE · USDA PSD Online.
DANCOR CORRETORA DE AÇÚCAR
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Radar do Açúcar Dancor • 13/10/2026
Este boletim reúne notícias e interpretações de mercado disponíveis na data de referência. As projeções são estimativas, não garantias de preço ou produção.