Radar do Açúcar Dancor — 19 de outubro de 2026
O mercado brasileiro de açúcar chega a esta segunda-feira com atenção concentrada na redução da oferta potencial do Centro-Sul, nas chuvas que prejudicam a colheita e nas decisões das usinas sobre a divisão da cana entre açúcar e etanol. Ao mesmo tempo, as políticas de exportação da Índia, a demanda chinesa, o petróleo e o câmbio podem alterar a direção dos preços.
1. Indicador CEPEA/ESALQ — São Paulo
Açúcar cristal branco · Saca de 50 kg · 16/10/2026
R$ 125,74
Alta diária
Referência em dólares informada
US$ 24,78/saca
Fechamento anterior — 15/10
R$ 124,68
O indicador subiu R$ 1,06 por saca em relação ao fechamento anterior. A sequência de altas sinaliza sustentação do mercado físico paulista, mas não significa que os preços subirão todos os dias: a disponibilidade de açúcar, o ritmo das vendas e a paridade de exportação continuam determinantes.
2. Notícias do mercado — de 16 a 19 de outubro
16 de outubro · Brasil
Chuvas e queda na qualidade da cana mantêm o mercado atento
A análise da Green Pool de 16/10 indicou moagem de 38,6 milhões de toneladas na segunda quinzena de setembro, queda anual de 6%. O ATR recuou 7%, para 146,4 kg por tonelada, enquanto o mix de açúcar se recuperou para 53,1%. A chuva continua sendo um risco para o andamento da safra.
19 de outubro · Índia
Índia suspende o uso de derivados da cana para produzir etanol
Segundo a Reuters, o governo determinou que as empresas de petróleo interrompam, na temporada 2026/27, o desvio de açúcar para etanol. A medida busca aumentar a disponibilidade interna e conter os preços locais, mas pode liberar mais açúcar para o mercado alimentar. O efeito internacional dependerá da produção efetiva, dos estoques e da política de exportação.
Fonte: Reuters — notícia de 19/10.
16 de outubro · Mercado internacional
Açúcar internacional sobe, mas permanece sujeito a correções
O mercado internacional acumulou uma recuperação expressiva nas semanas anteriores, impulsionada pelas preocupações com a oferta brasileira. Em 16/10, a referência acompanhada pelo Trading Economics recuou para 20,85 centavos de dólar por libra-peso, mostrando que a alta não ocorre em linha reta.
13 de outubro · China
Previsão de importações chinesas menores em 2026/27
A estimativa divulgada com base no relatório do USDA/FAS aponta produção chinesa de 13,37 milhões de toneladas e importações de 3,8 milhões de toneladas na temporada 2026/27, ante 4,575 milhões na estimativa para 2025/26. Se confirmada, a redução das compras pode limitar a demanda internacional.
19 de outubro · Petróleo
Petróleo recua, mas segue importante para a decisão das usinas
O Wall Street Journal informou queda dos contratos de petróleo na segunda-feira, com o Brent em US$ 107,86 por barril durante a sessão reportada. O recuo pode diminuir parte do incentivo energético ao etanol, mas o patamar elevado e os riscos geopolíticos ainda merecem atenção.
3. Como está a produção de açúcar no Brasil?
O principal ponto é que o Brasil continua sendo o grande fornecedor mundial, mas o volume disponível para exportação depende do quanto as usinas conseguem colher, processar e transformar em açúcar.
-
Chuvas no Centro-Sul: dificultam a entrada das máquinas no canavial e podem atrasar a moagem.
-
ATR em queda: significa menos açúcar recuperável por tonelada de cana, reduzindo o rendimento industrial.
-
Mix açucareiro: a recuperação para 53,1% na segunda quinzena de setembro é um fator de compensação, mas não elimina o risco climático.
-
Projeções de produção: uma estimativa da StoneX citada pela Reuters no fim de setembro apontava possibilidade de a produção do Centro-Sul ficar abaixo de 38 milhões de toneladas, ante uma expectativa inicial de cerca de 40 milhões. Trata-se de uma projeção, não do resultado final confirmado.
Fontes: Green Pool · Reuters — clima e produção brasileira.
4. Os cinco fatores que podem fazer o preço oscilar
China — importações e estoques
A China é um comprador relevante no mercado mundial. Se importar menos, como sugere a projeção para 2026/27, a demanda por açúcar brasileiro pode diminuir e pressionar as cotações. Se os estoques caírem ou as compras superarem as previsões, o efeito pode ser de alta.
Índia — exportações e disponibilidade interna
A Índia restringiu as exportações até 30 de setembro de 2026, ou até nova decisão, segundo a Reuters. A notícia de 19/10 sobre a suspensão do desvio de açúcar para etanol é uma medida diferente: ela pode ampliar a oferta para consumo interno e, dependendo das próximas decisões governamentais, alterar a disponibilidade exportável. Não há confirmação, nas fontes consultadas, de uma nova liberação geral de exportações após setembro.
Mix de açúcar e etanol no Brasil
Quando a usina destina mais cana ao açúcar, aumenta a oferta do produto e pode pressionar os preços. Quando aumenta a produção de etanol, menos açúcar pode chegar ao mercado. A decisão depende da rentabilidade relativa dos dois produtos, da qualidade da cana, da demanda por combustíveis e das condições operacionais.
Exportações brasileiras e logística
Em setembro, o Brasil exportou 2,699 milhões de toneladas de açúcares e melaços, queda de 16,8% ante setembro de 2025. Entre janeiro e setembro, foram 20,637 milhões de toneladas, recuo de 11,8% na comparação anual. Menores embarques podem refletir preços, disponibilidade, calendário e logística; isoladamente, não comprovam falta de açúcar.
Petróleo e energia
Petróleo caro pode elevar a atratividade do etanol e favorecer a destinação de mais cana para combustível, reduzindo a oferta potencial de açúcar. Mas a relação não é automática: contam também o preço do etanol, a gasolina, o câmbio e os contratos de açúcar. Se o petróleo cair e o açúcar continuar mais rentável, as usinas podem preferir produzir mais açúcar.
5. Entressafra: o que esperar nas próximas semanas?
A aproximação do fim da safra do Centro-Sul, normalmente concentrado no último trimestre do ano e com encerramentos variáveis entre usinas, merece atenção especial.
Fatores que podem sustentar os preços
-
Chuvas que reduzam a moagem e a recuperação de açúcar.
-
Menor disponibilidade imediata de produto e estoques mais apertados.
-
Dificuldades logísticas ou atrasos nos embarques.
-
Demanda externa maior do que a projetada.
Fatores que podem limitar a alta
-
Recuperação da moagem e do mix de açúcar.
-
Menor demanda chinesa ou aumento da disponibilidade exportável da Índia.
-
Queda do petróleo e perda de competitividade relativa do etanol.
-
Real mais forte, reduzindo a receita em reais das exportações.
Minha leitura para a entressafra: o cenário é de sustentação potencial para os preços, mas com volatilidade elevada. A combinação de clima desfavorável, ATR menor e oferta reduzida pode dar suporte ao mercado físico. Por outro lado, a recuperação do mix de açúcar e uma eventual redução da demanda internacional podem provocar correções.
Para acompanhar o mercado, vale observar semanalmente os dados da UNICA, os indicadores do CEPEA/ESALQ, os embarques da Secex e os contratos futuros de Nova York e Londres.
6. Resumo para o mercado
-
Mercado físico paulista: alta confirmada no indicador de 16/10, a R$ 125,74 por saca.
-
Produção brasileira: clima e qualidade da cana continuam como pontos de risco.
-
Índia: a decisão sobre etanol aumenta a oferta potencial para consumo interno, mas não equivale a uma liberação de exportações.
-
China: a previsão de importações menores é um risco para a demanda global.
-
Entressafra: pode sustentar preços se a oferta disponível diminuir, sem eliminar o risco de correções.
Acompanhe sempre a diferença entre o indicador físico paulista, a cotação internacional e a paridade de exportação. São referências relacionadas, mas não equivalentes.
Dancor Corretora de Açúcar
Informação de mercado para apoiar suas decisões comerciais.
WhatsApp 16 99229-2104
www.dancorretora.com.br
Nota: as informações internacionais refletem as publicações localizadas até 19/10/2026. Estimativas de produção e importação são projeções, não resultados definitivos. O conteúdo é informativo e não constitui garantia de preço ou recomendação de negociação