RADAR DO AÇÚCAR — 17/09/2026
O mercado entra no dia 17 com atenção redobrada ao equilíbrio entre oferta brasileira, petróleo, etanol e disponibilidade internacional. Ontem, 16/09, o açúcar físico paulista voltou a subir, enquanto Nova York ficou praticamente estável e Londres recuou.
📊 Fechamento de 16/09
- CEPEA/ESALQ – Açúcar Cristal Branco SP: R$ 119,28/saca de 50 kg, alta de 0,96%.
- NY #11: 17,97 c/lb, +0,17%.
- Londres #5: US$ 524/t, -0,44%.
- Brent: US$ 102,39/barril.
🇧🇷 Brasil: chuva virou um fator importante
As chuvas recentes no Centro-Sul estão atrasando a moagem da cana. Segundo informações divulgadas pelo setor, o excesso de umidade pode prolongar a safra e reduzir a qualidade da matéria-prima, principalmente o ATR. Há possibilidade de algumas usinas estenderem a moagem para dezembro e, em determinados casos, janeiro.
Isso é importante porque estamos nos aproximando da entressafra brasileira. Quanto menor for o volume efetivamente produzido e disponibilizado antes da parada das usinas, maior pode ser a sensibilidade do mercado físico durante os meses de menor oferta.
Os dados oficiais mais recentes localizados da UNICA mostram que a safra 2026/27 começou com forte atividade de moagem, mas com mudanças importantes no direcionamento da cana entre açúcar e etanol.
⚗️ Açúcar x etanol: o grande ponto de decisão
A usina brasileira pode direcionar parte da cana para açúcar ou etanol. Portanto:
Petróleo sobe → gasolina fica mais cara → etanol ganha competitividade → pode haver maior direcionamento de cana para etanol → menor oferta potencial de açúcar.
Por outro lado:
Petróleo cai → etanol perde parte da vantagem → açúcar pode ficar relativamente mais atrativo para a usina.
Ontem o petróleo caiu cerca de 3%, chegando a aproximadamente US$ 105,56 no Brent durante a sessão, e o mercado internacional do açúcar reagiu com pressão.
🇨🇳 China: importação continua importante
A China continua sendo um dos grandes componentes da demanda mundial. A projeção localizada para 2026/27 aponta produção chinesa de 12,93 milhões de toneladas e importações de aproximadamente 4,8 milhões de toneladas.
Para o Brasil, isso significa que qualquer aumento das compras chinesas pode ajudar a sustentar o fluxo internacional e melhorar a demanda por açúcar brasileiro.
🇮🇳 Índia: de exportadora para possível compradora
Este é um dos pontos mais interessantes do mercado atual.
A Índia autorizou 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com importação sem tarifa, com entrada permitida até 31 de outubro, justamente antes do período de maior consumo relacionado à temporada de festivais.
A Índia também enfrenta preocupações com oferta de cana e disponibilidade de açúcar. A Reuters já apontou que o país pode permanecer com pouca disponibilidade para exportação por algumas safras, enquanto o crescimento do etanol também disputa matéria-prima com a fabricação de açúcar.
Isso muda bastante o equilíbrio mundial: se a Índia compra açúcar em vez de exportá-lo, desaparece uma fonte importante de oferta internacional e aumenta a necessidade de outros exportadores, especialmente o Brasil.
🚢 Exportações brasileiras
O Brasil continua sendo o principal fornecedor do comércio mundial de açúcar. O volume exportado depende principalmente de:
- preço internacional;
- câmbio;
- disponibilidade física;
- prêmio do açúcar brasileiro;
- logística e fretes;
- programação dos embarques;
- estratégia comercial das usinas e tradings.
O Ministério da Agricultura mantém os dados oficiais de exportação brasileira de açúcar atualizados até setembro de 2026.
🌱 E a entressafra?
A entressafra tende a deixar o mercado físico mais sensível a qualquer problema de oferta.
Neste momento, porém, há dois movimentos opostos:
Fatores de sustentação
- chuvas atrasando moagem;
- possibilidade de menor produção;
- menor disponibilidade de açúcar em alguns produtores mundiais;
- Índia importando;
- risco climático associado ao El Niño;
- estoques globais mais apertados.
Fatores de pressão
- petróleo mais fraco;
- possibilidade de maior produção de açúcar se o etanol perder competitividade;
- câmbio favorecendo exportação brasileira quando o real enfraquece;
- recuperação da produção de alguns países.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima para 2026/27 um pequeno déficit global de cerca de 200 mil toneladas, mas ressalta que o clima — especialmente o El Niño — pode alterar significativamente essa projeção.
📌 Análise Dancor — em linguagem simples
O mercado não está sendo movimentado por um único fator.
Hoje temos uma disputa entre clima + produção brasileira + petróleo + etanol + Índia + China + câmbio + exportações.
O ponto que merece maior atenção para as próximas semanas é a combinação de chuvas no Centro-Sul + ritmo final de moagem + definição do mix açúcar/etanol.
Se a moagem atrasar e a disponibilidade de açúcar diminuir justamente na aproximação da entressafra, o mercado físico pode ficar mais sensível.
Ao mesmo tempo, petróleo e câmbio podem mudar rapidamente a relação econômica entre açúcar e etanol, fazendo as usinas alterarem sua estratégia.
Em resumo: o mercado continua volátil, e o comportamento da oferta brasileira nas próximas semanas será fundamental para definir o tom da entressafra.
📰 Fontes consultadas
- CEPEA/ESALQ – indicador de açúcar
- AgriInsite / ChiniMandi – fechamento internacional de 16/09
- Reuters – Índia autoriza 1 milhão t de importação
- Reuters – perspectiva de oferta de açúcar da Índia
- ISO – Outlook mundial do açúcar 2026/27
- Ministério da Agricultura – comércio exterior do açúcar brasileiro
- NovaCana – chuvas e atraso da moagem no Brasil