RADAR DO AÇÚCAR DANCOR
EDIÇÃO ESPECIAL | 03 DE NOVEMBRO DE 2026
Mercado internacional | Brasil | Índia | China | Etanol | Petróleo
O mercado brasileiro de açúcar começa novembro com pressão sobre as cotações, em um momento importante de transição para a entressafra da região Centro-Sul. A atenção dos participantes está concentrada no ritmo de produção das usinas, na disponibilidade de açúcar para exportação, no comportamento do petróleo e nas perspectivas de oferta mundial.
INDICADOR CEPEA/ESALQ — AÇÚCAR CRISTAL BRANCO SP
R$ 128,35
Saca de 50 kg
30/10/2026
Equivalência em dólar
US$ 23,54/saca
Leitura do fechamento de 30/10: o indicador apresentou recuo de 1,25%, mostrando perda de força nos preços do açúcar cristal no mercado paulista. A queda merece atenção porque ocorre justamente na aproximação da entressafra, período em que a disponibilidade de açúcar tende a diminuir gradualmente.
Uma sessão negativa, entretanto, não significa necessariamente uma tendência prolongada de baixa. O mercado precisa equilibrar a oferta disponível, a demanda das indústrias, as exportações e as expectativas para a próxima safra.
1. Como está a produção de açúcar no Brasil?
Os números divulgados pela UNICA e repercutidos pela CNN Brasil mostram uma redução importante na produção de açúcar do Centro-Sul.
| Indicador acumulado até agosto | Safra 2026/27 |
|---|---|
| Produção de açúcar | 24,08 milhões t |
| Safra anterior | 26,84 milhões t |
| Variação | -10,29% |
| Cana processada | 412,37 milhões t |
| Cana destinada ao açúcar | 46,56% |
| Cana destinada ao etanol | 53,44% |
O dado mais importante é que a moagem aumentou 1,81%, mas a produção de açúcar caiu. Isso demonstra que as usinas direcionaram uma parcela maior da cana para o etanol, reduzindo a fabricação do adoçante.
CNN Brasil
Situação mais recente: primeira quinzena de outubro
Segundo os dados do MAPA divulgados em 30/10:
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Moagem de cana: 32,04 milhões de toneladas, queda de 17,79%.
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Produção de açúcar: 2,15 milhões de toneladas, queda de 23,25%.
-
Produção de etanol: 1,77 bilhão de litros, queda de 21,80%.
Canal Rural
Comparação acumulada até agosto, em milhões de toneladas.
0 milhões t8 milhões t16 milhões t24 milhões t32 milhões t2025/262026/27
O que isso significa para o mercado?
A redução da produção de açúcar pode diminuir a disponibilidade física para comercialização nos próximos meses. Se a demanda interna e as exportações permanecerem firmes, a tendência é de maior disputa pelo açúcar disponível, principalmente durante a entressafra.
2. Entressafra brasileira: o que esperar?
Estamos entrando em uma fase importante do calendário sucroenergético brasileiro.
A moagem no Centro-Sul começa a perder intensidade entre outubro e novembro, com algumas unidades encerrando suas atividades antes de outras. A região Norte-Nordeste possui calendário diferente e continua contribuindo para o abastecimento.
Os principais efeitos esperados são:
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Menor entrada de açúcar novo no mercado.
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Redução gradual da oferta das usinas que encerram a moagem.
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Maior importância dos estoques disponíveis.
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Possibilidade de valorização do açúcar cristal no mercado interno.
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Maior atenção à logística, aos estoques e aos compromissos de exportação.
Minha avaliação: a entressafra pode funcionar como sustentação para os preços, especialmente se a produção final do Centro-Sul confirmar a redução observada até outubro. Entretanto, não é garantia de alta: estoques elevados, demanda fraca e preços internacionais pressionados podem limitar a valorização.
3. O que faz o mercado internacional oscilar?
Produção brasileira
Volume de moagem, produtividade agrícola, ATR e rendimento industrial determinam a quantidade de açúcar disponível.
Mix açúcar e etanol
Quando o etanol oferece melhor remuneração, as usinas podem direcionar mais cana para biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar.
Exportações brasileiras
Embarques, disponibilidade portuária, fretes e câmbio influenciam a quantidade de açúcar que chega ao mercado internacional.
Índia
Mudanças nas políticas de exportação, produção e consumo interno podem alterar significativamente a oferta mundial.
China
O volume importado influencia a demanda internacional, principalmente pelo açúcar bruto destinado às refinarias.
Petróleo
A cotação do petróleo influencia a competitividade do etanol e, indiretamente, a decisão das usinas sobre o mix de produção.
4. Índia: poderá voltar a exportar açúcar?
A Índia merece atenção especial porque é um dos maiores produtores e consumidores mundiais.
Em condições normais, quando a produção indiana é elevada e os estoques são suficientes, o país pode liberar volumes expressivos para exportação, aumentando a oferta internacional e pressionando as cotações.
Entretanto, o cenário recente é diferente:
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O governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos.
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A decisão foi tomada para melhorar o abastecimento interno e conter os preços.
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Em outubro, o governo também estabeleceu cotas de comercialização para as usinas.
-
Para a primeira quinzena de novembro, foi definida uma cota doméstica de 1,3 milhão de toneladas.
Fontes: Reuters – situação do abastecimento indiano; ChiniMandi – cota de novembro.
MarketScreener+2
Impacto para o mercado: neste momento, a Índia não representa necessariamente uma grande fonte adicional de açúcar exportável. A necessidade de abastecimento interno e as decisões governamentais podem limitar suas exportações.
Caso a produção melhore e os estoques aumentem, uma eventual liberação de exportações poderá pressionar Nova York e Londres.
5. China: influência das importações
A China é um dos principais compradores mundiais de açúcar e suas decisões de importação podem provocar mudanças importantes no equilíbrio internacional.
Os dados alfandegários chineses referentes a setembro de 2026 mostram:
| Indicador | Volume |
|---|---|
| Importação em setembro | 260 mil t |
| Janeiro a setembro | 2,514 milhões t |
| Safra 2025/26 acumulada | 4,277 milhões t |
As importações de setembro caíram aproximadamente 28,82% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, houve redução de aproximadamente 20,3%.
hisugar.com
O que devemos observar?
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Se a China aumentar suas compras, poderá gerar sustentação às cotações internacionais.
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Se mantiver importações reduzidas, haverá menor pressão compradora sobre o mercado mundial.
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O volume de estoques internos, a produção doméstica e a diferença entre o preço internacional e o preço chinês influenciam as decisões dos importadores.
Minha avaliação é que a China representa um fator importante de demanda, mas os números mais recentes não indicam uma expansão das compras.
6. Exportações brasileiras: o peso do Brasil no mercado mundial
O Brasil continua sendo o principal fornecedor de açúcar do mercado internacional. Por isso, qualquer mudança na disponibilidade brasileira tem reflexo nas cotações de Nova York e Londres.
Segundo dados da Secex divulgados pela Safras & Mercado:
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Exportações parciais de outubro: 1,738 milhão de toneladas.
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Receita: US$ 586,16 milhões.
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Preço médio: US$ 337,20 por tonelada.
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Média diária exportada: 158 mil toneladas.
Na comparação com outubro de 2025, a média diária embarcada caiu 16,5%, enquanto o preço médio recuou 14,3%.
O line-up divulgado em 23 de outubro indicava 1,713 milhão de toneladas programadas para embarque, sendo aproximadamente 1,057 milhão de toneladas pelo Porto de Santos.
SAFRAS & Mercado
Interpretação comercial: o Brasil continua com presença expressiva no comércio internacional, mas a redução do ritmo diário de exportações e o menor preço médio mostram um ambiente de comercialização mais pressionado.
Durante a entressafra, será importante acompanhar o line-up dos navios, os estoques nos terminais e a capacidade de cumprimento dos contratos de exportação.
7. Petróleo: como influencia o preço do açúcar?
O petróleo influencia o açúcar principalmente por meio da competitividade do etanol.
A relação funciona da seguinte maneira:
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Petróleo em alta pode melhorar a competitividade dos combustíveis renováveis, dependendo dos preços da gasolina e da política de combustíveis.
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Com etanol mais competitivo, as usinas podem aumentar o interesse em produzir biocombustível.
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Isso pode reduzir a parcela de cana destinada à fabricação de açúcar.
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Menor disponibilidade de açúcar pode favorecer os preços internacionais.
O movimento contrário também pode ocorrer.
Atenção ao cenário recente: em 30 de outubro, o Brent fechou a US$ 117,64 por barril, após alta de 2,4% no dia, segundo a Reuters. Em 2 de novembro, houve forte correção do petróleo, com notícias de queda associada à redução do prêmio de risco geopolítico.
Reuters+1
Portanto, o petróleo apresenta volatilidade e pode alterar as decisões econômicas das usinas.
É importante lembrar que a relação não é automática: preços domésticos do etanol, gasolina, câmbio, impostos e condições de comercialização também interferem na decisão do produtor.
8. Perspectivas para o mercado de açúcar
Minha avaliação para os próximos meses é de um mercado que poderá encontrar sustentação na redução da moagem brasileira, mas continuará sujeito às oscilações internacionais.
| Fator | Possível influência |
|---|---|
| Entressafra brasileira | Positiva para preços |
| Menor produção no Centro-Sul | Positiva |
| Maior destinação de cana ao etanol | Positiva |
| Importações menores da China | Negativa |
| Índia sem grandes excedentes exportáveis | Positiva |
| Aumento das exportações brasileiras | Negativa |
| Petróleo e etanol valorizados | Potencialmente positiva |
| Estoques mundiais elevados | Negativa |
Três cenários para acompanhar
Cenário 1 – Mercado de alta
A produção brasileira continua abaixo do ciclo anterior, as usinas encerram a moagem e a Índia não libera grandes volumes de exportação. A oferta internacional fica mais apertada e as cotações podem ganhar força.
Cenário 2 – Mercado lateralizado
A redução da produção brasileira é compensada por estoques disponíveis, demanda moderada e estabilidade das compras internacionais. Os preços oscilam dentro de uma faixa sem tendência definida.
Cenário 3 – Mercado de baixa
A China reduz as importações, a Índia apresenta recuperação de produção e libera açúcar para exportação, enquanto o Brasil mantém embarques expressivos. A disponibilidade internacional aumenta e os preços podem sofrer novas pressões.
9. Notícias relevantes de 30/10 a 03/11/2026
Alguns acontecimentos que merecem acompanhamento:
30 de outubro – Produção brasileira em desaceleração
O MAPA divulgou queda de 17,79% na moagem da primeira quinzena de outubro, com redução de 23,25% na produção de açúcar.
Fonte: Canal Rural – moagem de cana cai 17,8%.
30 de outubro – Índia estabelece cota de comercialização
O governo indiano definiu 1,3 milhão de toneladas para comercialização na primeira quinzena de novembro, mantendo controle sobre a oferta doméstica.
Fonte: ChiniMandi – Índia define cota de novembro.
30 de outubro – Açúcar internacional reage às preocupações climáticas
A Reuters informou que os contratos de açúcar em Nova York subiram diante das preocupações com chuvas excessivas nas regiões produtoras brasileiras e perspectivas de oferta mundial mais apertada.
Fonte: Reuters – Sugar prices rise amid rains in Brazil.
2 de novembro – Petróleo e volatilidade
O mercado de petróleo apresentou correção depois das altas relacionadas às tensões geopolíticas no Oriente Médio, trazendo mais incerteza para o mercado de energia.
Fonte: Crude Oil – análise do mercado de petróleo.
3 de novembro – Mercado americano de açúcar
A Czapp publicou análise sobre a oferta de açúcar nos Estados Unidos e as pressões que envolvem o mercado internacional, incluindo fatores brasileiros.
Fonte: Czapp – US Sugar Remains Tight.
3 de novembro – Perspectiva de oferta asiática
A Tailândia avalia ampliar exportações de açúcar bruto para a Indonésia diante de possíveis necessidades de abastecimento em 2027.
Fonte: ChiniMandi – Tailândia e exportações para a Indonésia.
10. Conclusão da Dancor Corretora
O mercado entra em novembro com dois movimentos importantes: de um lado, a redução da produção brasileira e a aproximação da entressafra; de outro, a necessidade de acompanhar a demanda internacional, especialmente da China, e a disponibilidade de açúcar de outros países produtores.
O Brasil terá papel fundamental na formação dos preços internacionais durante os próximos meses.
A redução da produção do Centro-Sul, combinada com uma maior destinação de cana para o etanol, pode contribuir para uma oferta mais restrita. Entretanto, o comportamento das exportações, dos estoques e das cotações internacionais será determinante.
Para compradores e vendedores, o momento exige atenção à formação de estoques, às oportunidades de negociação e à evolução dos preços durante a entressafra.
A Dancor continuará acompanhando os principais indicadores nacionais e internacionais para manter o mercado informado.
DANCOR
CORRETORA DE AÇÚCAR
Informação e conexão no mercado de açúcar.
WhatsApp 16 99229-2104
www.dancorretora.com.br
Dancor Corretora de Açúcar | Cravinhos – SP
Nota editorial: os dados de produção e comércio citados correspondem às últimas divulgações localizadas, com períodos de referência diferentes. O indicador CEPEA de 30/10 foi informado por você. As projeções são análises de cenário, não garantias de comportamento dos preços. Não foi localizada nesta pesquisa uma nova divulgação alfandegária chinesa de novembro ou uma decisão definitiva de liberação de exportações indianas para o período.