Radar do Açúcar Dancor
Quinta-feira, 29 de outubro de 2026 | Análise de mercado de 28 a 29/10/2026
1. Indicador CEPEA/ESALQ — São Paulo
Açúcar cristal branco · Saca de 50 kg
R$ 128,74
O CEPEA/ESALQ informou que o indicador foi arbitrado conforme a metodologia, devido à insuficiência de informações para sua composição. Por esse motivo, foi mantido o valor divulgado na terça-feira, 27/10/2026.
Importante: a manutenção do indicador não significa necessariamente que os preços negociados no mercado ficaram estáveis. Significa que não houve informações suficientes para calcular uma nova referência diária.
2. Notícias e acontecimentos que movimentam o mercado
Brasil: chuva e redução da produção de açúcar
27 de outubro de 2026
A consultoria Datagro projeta queda de 5% na produção de açúcar do Centro-Sul em 2026/27, para 38,42 milhões de toneladas, mesmo com previsão de aumento da moagem de cana. O excesso de chuvas prejudica o rendimento e favorece o direcionamento de matéria-prima para o etanol. Se confirmada, a redução pode limitar a oferta brasileira e dar sustentação às cotações internacionais.
Fonte: The AgriBiz — projeção da Datagro
The AgriBiz
Bolsa internacional: recuperação após queda
28 de outubro de 2026
Segundo reportagem da Reuters, o açúcar bruto em Nova York avançava 0,8%, para 19,27 centavos de dólar por libra-peso, após forte queda na sessão anterior. A preocupação com as chuvas no Brasil e com os estoques limitados na Índia ajudava a sustentar os preços.
A oscilação do real também é importante: quando a moeda brasileira enfraquece, a exportação tende a ficar mais atraente para as usinas, o que pode pressionar a cotação internacional.
Fonte: Reuters, via Business Recorder
Business Recorder
Índia: demanda interna e disponibilidade para exportação
26 de outubro de 2026
A Índia entrou em período de demanda sazonal elevada, ligado às festividades, com estoques considerados apertados pela reportagem da Reuters. Isso pode reduzir o volume disponível para exportação ou aumentar a necessidade de importação, dependendo da produção e das decisões do governo.
Impacto: menos açúcar indiano disponível no mercado mundial pode favorecer os preços internacionais; uma safra melhor ou autorização de exportações maiores pode produzir o efeito contrário.
Fonte: Reuters, via Business Recorder
Business Recorder
Petróleo: energia e biocombustíveis
28 de outubro de 2026
O petróleo Brent subiu US$ 2,02, ou 1,8%, chegando a US$ 115,90 por barril durante a manhã, após notícias de um ataque a uma refinaria na Arábia Saudita e aumento das preocupações com a oferta de energia.
Petróleo mais caro pode melhorar a competitividade do etanol e estimular as usinas brasileiras a destinar mais cana ao combustível, reduzindo a produção potencial de açúcar. Essa relação depende também dos preços da gasolina e do etanol no Brasil.
Fonte: Reuters — petróleo sobe em meio a riscos de abastecimento
live
Nota de atualização: as notícias acima são os acontecimentos relevantes localizados para o período. Não encontrei confirmação independente de uma nova decisão chinesa sobre importações nem de uma nova cota geral de exportação indiana publicada especificamente em 28 ou 29 de outubro. Por isso, esses pontos são tratados abaixo como fatores de mercado, sem atribuir anúncios não confirmados a essas datas.
3. Como anda a produção de açúcar no Brasil?
Os dados divulgados pela UNICA e reportados pela CNN Brasil em 23 de outubro mostram uma diferença importante entre a quantidade de cana processada e o volume de açúcar fabricado.
Centro-Sul · acumulado até agosto de 2026 · safra 2026/27
Produção de açúcar
24,08 mi t
−10,29% em relação à safra anterior
Moagem de cana
412,37 mi t
+1,81% em relação à safra anterior
Destino da cana processada no período
Etanol
53,44%
Açúcar
46,56%
O que esses números significam na prática?
O Brasil moeu mais cana, mas produziu menos açúcar. Isso aconteceu porque uma parcela maior da matéria-prima foi destinada ao etanol, além dos efeitos das condições climáticas sobre o rendimento.
Esse detalhe é importante: a disponibilidade de açúcar não depende somente do tamanho da safra, mas também da quantidade de açúcar que cada tonelada de cana consegue produzir e da decisão comercial das usinas.
A projeção da Datagro de 27 de outubro aponta para 38,42 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul em 2026/27, uma queda estimada de 5%. Trata-se de uma projeção, não do resultado final da safra. Leia a análise da Datagro.
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4. Exportações brasileiras: por que influenciam o preço?
O Brasil é o principal fornecedor de açúcar do mercado internacional. O ritmo dos embarques, a disponibilidade de produto nas usinas e a capacidade dos portos podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda.
Os dados da Secex divulgados em 6 de outubro indicaram:
| Indicador | Janeiro a setembro de 2026 |
|---|---|
| Açúcares e melaços exportados | 20,637 milhões de toneladas |
| Variação sobre 2025 | −11,80% |
| Receita de exportação | US$ 7,108 bilhões |
| Variação da receita | −29,9% |
Em setembro, os embarques totalizaram 2,699 milhões de toneladas, queda de 16,8% na comparação anual. O preço médio informado caiu 9,7%, para US$ 359,20 por tonelada.
O mercado financeiro em tempo real
Fonte: Broadcast — dados da Secex sobre exportações de açúcar
Como interpretar: exportações menores podem indicar menor disponibilidade de produto no mercado mundial, o que tende a sustentar os preços. Entretanto, também podem refletir demanda mais fraca, preços internacionais menos atraentes ou mudanças no calendário de embarques. É necessário observar os dois lados.
5. China: o volume de importações pode mudar o mercado?
A China é um dos compradores relevantes do comércio internacional de açúcar. Seu comportamento influencia as expectativas de demanda, mesmo quando as compras efetivas demoram a aparecer nos dados.
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Se a China importar mais: aumenta a procura por açúcar internacional e pode favorecer os preços.
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Se reduzir as compras: sobra mais produto disponível para outros mercados, pressionando as cotações.
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Se aumentar os estoques internos: pode adiar importações e reduzir a necessidade de compras no curto prazo.
Para o Brasil, o impacto depende de quanto a China compra, da origem do açúcar e da competitividade do produto brasileiro em relação aos demais fornecedores.
Não há, nas fontes localizadas para 28 e 29 de outubro, um novo dado confirmado de importações chinesas que permita afirmar que houve uma mudança recente no volume comprado. Portanto, esse fator deve ser acompanhado sem presumir uma alta ou queda causada pela China.
6. Índia: exportações e disponibilidade mundial
A Índia é outro fator central porque possui um grande mercado consumidor interno e políticas governamentais que podem alterar o volume exportado.
Quando a produção é insuficiente para atender confortavelmente à demanda doméstica, o governo pode limitar as exportações para preservar o abastecimento. Quando há excedentes, pode autorizar mais vendas externas.
No momento, a preocupação com estoques internos mais apertados e a demanda sazonal elevada ajuda a sustentar as cotações, conforme a reportagem da Reuters de 28 de outubro.
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Para acompanhar esse fator, vale observar:
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Estimativas de produção e recuperação da safra indiana.
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Decisões oficiais sobre cotas e autorizações de exportação.
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Consumo interno durante o período festivo.
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Possibilidade de importações para complementar a oferta doméstica.
Para o mercado brasileiro: uma redução das exportações indianas pode beneficiar os preços internacionais e melhorar as oportunidades comerciais para o açúcar brasileiro. Uma liberação maior de exportações pode aumentar a concorrência.
7. Mix de açúcar e etanol: a decisão das usinas
O mix é a proporção da cana destinada à fabricação de açúcar ou de etanol. É um dos fatores mais importantes para a oferta brasileira.
Maior direcionamento para açúcar
Aumenta a oferta de açúcar. Se a demanda não acompanhar esse crescimento, o preço tende a sofrer pressão.
Maior direcionamento para etanol
Reduz a quantidade de cana destinada ao açúcar e pode dar sustentação às cotações, especialmente quando a oferta já está apertada.
A decisão não depende apenas do preço do etanol. As usinas também avaliam o preço internacional do açúcar, o câmbio, os custos industriais, os contratos de venda e a eficiência de produção.
No cenário atual, a redução acumulada da produção de açúcar no Centro-Sul, mesmo com aumento da moagem, demonstra a importância dessa escolha industrial.
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8. Petróleo: qual é a ligação com o açúcar?
O petróleo influencia o mercado por dois caminhos principais.
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Competitividade do etanol: se o petróleo sobe e isso favorece os combustíveis concorrentes, o etanol pode ganhar atratividade. As usinas podem direcionar mais cana para combustível, reduzindo a oferta potencial de açúcar.
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Câmbio e custos: movimentos do petróleo podem afetar as moedas, os custos logísticos e as expectativas econômicas, alterando a rentabilidade das exportações.
Em 28 de outubro, o Brent chegou a US$ 115,90 por barril durante a manhã, conforme a Reuters. Esse movimento representa um fator potencialmente favorável ao etanol, mas não garante uma mudança imediata no mix: é necessário avaliar os preços efetivos dos combustíveis e as margens das usinas.
live
9. Entressafra: o que esperar nos próximos meses?
A entressafra do Centro-Sul ocorre quando a moagem diminui ou termina em boa parte das usinas, antes da retomada da safra seguinte. A transição varia conforme a região e as condições operacionais.
Fator de sustentação: menor oferta nova
Com menos cana sendo processada, a entrada de açúcar recém-produzido diminui. Se os estoques disponíveis e os embarques não forem suficientes para atender à demanda, os preços podem ganhar força.
Fator de pressão: estoques e exportações
Estoques elevados, contratos já atendidos ou ritmo menor de compras internacionais podem limitar a valorização, mesmo com a aproximação da entressafra.
Clima e produtividade
Chuvas excessivas podem interromper a colheita e prejudicar o rendimento. O impacto final depende de quanto a produção é perdida, recuperada ou transferida para o fim do calendário de moagem.
Perspectiva para a entressafra
O cenário apresenta fatores de sustentação para os preços, principalmente a redução observada na produção de açúcar, as preocupações com o clima e a possibilidade de menor disponibilidade de produto novo.
Por outro lado, a valorização não é garantida. Uma queda do petróleo, um real mais fraco, maior direcionamento para açúcar, compras internacionais abaixo do esperado ou estoques confortáveis podem limitar os ganhos.
Para o mercado paulista, será importante acompanhar o equilíbrio entre a oferta física das usinas, as necessidades dos compradores, os contratos de exportação e a evolução das cotações internacionais.
10. Resumo da análise de mercado
Fatores que podem sustentar os preços
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Redução da produção de açúcar no Centro-Sul.
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Chuvas que limitam a moagem e o rendimento.
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Menor disponibilidade exportável da Índia.
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Petróleo elevado, caso aumente a competitividade do etanol.
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Menor entrada de açúcar novo durante a entressafra.
Fatores que podem pressionar os preços
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Real mais fraco, incentivando a venda de açúcar brasileiro no exterior.
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Recuperação da moagem e maior direcionamento para açúcar.
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Compras chinesas abaixo das expectativas.
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Aumento da disponibilidade de açúcar indiano.
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Estoques suficientes e demanda internacional mais fraca.
Conclusão Dancor: o mercado combina uma perspectiva de menor produção de açúcar no Centro-Sul com fatores externos capazes de provocar oscilações importantes. A entressafra pode dar sustentação aos preços, mas a direção do mercado dependerá da disponibilidade real de açúcar, da demanda internacional, do câmbio e da rentabilidade relativa entre açúcar e etanol.
O indicador paulista de R$ 128,74 por saca deve ser interpretado com cautela, pois foi mantido por arbitramento metodológico, e não por uma nova composição diária de preços. Para negociações comerciais, é recomendável confirmar as ofertas físicas efetivas com as usinas e os compradores.
DANCOR CORRETORA DE AÇÚCAR
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