RADAR DO AÇÚCAR DANCOR
ANÁLISE DO MERCADO | 30 DE SETEMBRO DE 2026
Mercado brasileiro e internacional • Produção • Exportações • Etanol • Perspectivas para a entressafra
INDICADOR CEPEA/ESALQ — AÇÚCAR CRISTAL BRANCO | SÃO PAULO
R$ 121,27 / saca de 50 kg
29/09/2026 • US$ 23,25/saca
O indicador registrou valorização no dia 29 de setembro, sinalizando alta nas cotações do açúcar cristal no mercado paulista.
1. Notícias e acontecimentos do mercado — 29 e 30 de setembro
Chuvas no Centro-Sul podem reduzir a produção de açúcar
Segundo a Reuters, as chuvas acima do normal estão atrasando a colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro. Mesmo com a valorização do açúcar no mercado internacional, as usinas enfrentam dificuldades para aumentar a produção do adoçante.
A estimativa inicial de aproximadamente 40 milhões de toneladas de açúcar na região pode ficar abaixo de 38 milhões de toneladas, caso as condições climáticas continuem prejudicando a safra.
Impacto: menor disponibilidade de açúcar brasileiro para exportação pode dar sustentação às cotações internacionais.
Açúcar sobe com restrição de oferta e etanol perde força
O Canal Rural informou que as chuvas recentes limitaram a oferta de açúcar cristal no mercado paulista, sustentando as cotações. Ao mesmo tempo, o etanol hidratado registrou queda após quase dois meses de alta, influenciado pela necessidade de caixa de algumas usinas e pela liberação de espaço nos tanques.
O movimento mostra que açúcar e etanol podem apresentar comportamentos diferentes, mesmo quando são produzidos a partir da mesma matéria-prima.
Importações chinesas de açúcar apresentam recuperação mensal
A China importou 650 mil toneladas de açúcar em agosto de 2026, seu maior volume mensal no ano até então. Entretanto, as importações acumuladas de janeiro a agosto chegaram a 2,25 milhões de toneladas, 13,5% abaixo do mesmo período de 2025.
Os estoques domésticos elevados e os preços internacionais mais altos podem limitar novas compras chinesas, mesmo com a recuperação das importações em agosto.
Impacto: a demanda chinesa pode influenciar o ritmo das exportações brasileiras e a disponibilidade global.
Oferta indiana e consumo interno entram no radar
A S&P Global informou que a alta dos preços internos do açúcar na Índia levou o governo a permitir a importação de até 1 milhão de toneladas sem tarifas, além de adotar medidas para controlar estoques comerciais.
Ao mesmo tempo, as perspectivas de produção e exportação indianas continuam sujeitas às condições das lavouras, à disponibilidade de cana e à demanda por etanol. A Reuters já havia apontado riscos de menor excedente exportável indiano nos próximos anos.
Impacto: uma redução das exportações indianas pode apertar a oferta mundial, enquanto uma safra maior e liberações de excedentes podem exercer pressão contrária.
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Preocupação com a oferta brasileira sustenta os contratos futuros
Os mercados internacionais acompanharam os sinais de redução do teor de açúcar na cana processada no Centro-Sul. Dados divulgados sobre a primeira quinzena de setembro apontaram 154,58 kg de açúcar por tonelada de cana, ante 160,07 kg por tonelada no mesmo período do ano anterior.
A perspectiva de menor produção brasileira é um dos fatores que vêm influenciando os contratos futuros em Nova York e Londres, embora as expectativas de oferta de outros países também possam limitar as altas.
As notícias localizadas mais diretamente relacionadas ao açúcar nesse período foram publicadas principalmente em 28 e 29 de setembro. Não foi identificada, nesta pesquisa, uma nova divulgação de dados de produção da UNICA referente ao dia 30.
2. Análise do mercado brasileiro
Referência: fechamento informado de 29/09/2026
O açúcar cristal branco em São Paulo chegou a R$ 121,27 por saca de 50 kg, com valorização diária de 0,86%. A alta ocorre em um cenário no qual as chuvas vêm dificultando a colheita, reduzindo a oferta disponível e limitando a capacidade das usinas de aproveitar integralmente os preços mais elevados do açúcar.
O que está acontecendo, em termos simples?
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As chuvas atrasam a colheita e podem diminuir o volume de cana processada.
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A cana com menor concentração de açúcar reduz o rendimento industrial.
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As usinas não conseguem mudar livremente toda a produção de etanol para açúcar apenas porque o preço internacional subiu.
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A expectativa de menor oferta brasileira aumenta a atenção dos compradores internacionais e dos operadores do mercado futuro.
O ponto central é que o mercado está acompanhando não apenas o preço do açúcar, mas principalmente a quantidade que o Brasil conseguirá produzir e disponibilizar até o encerramento da safra.
3. Produção de açúcar no Brasil e o mix açúcar/etanol
O Brasil continua sendo o principal fornecedor de açúcar do mercado internacional. Entretanto, a produção depende de três fatores fundamentais: volume de cana disponível, qualidade da matéria-prima e decisão industrial sobre a destinação do ATR (Açúcar Total Recuperável).
A notícia da Reuters de 29 de setembro aponta que o clima passou a ter maior influência sobre as decisões das usinas do que a própria rentabilidade relativa entre açúcar e etanol. O teor de umidade elevado na cana e as chuvas que interrompem as operações dificultam o aumento do mix açucareiro. A estimativa citada pela reportagem é de que a produção de açúcar do Centro-Sul possa ficar abaixo de 38 milhões de toneladas, contra uma projeção inicial de 40 milhões.
Como funciona o mix?
Exemplo ilustrativo de destinação da cana, não uma medição atualizada da safra.
Açúcar
45%
Etanol
55%
Uma mudança de mix pode alterar significativamente a oferta de açúcar, mesmo sem uma grande mudança no volume total de cana processada.
Quando o açúcar oferece maior retorno econômico, a usina pode direcionar uma parcela maior da cana para sua fabricação, desde que as condições operacionais e a qualidade da matéria-prima permitam. Quando o etanol apresenta maior rentabilidade, a destinação pode mudar no sentido contrário.
Além disso, a política de mistura de etanol na gasolina, o preço dos combustíveis e a demanda interna por biocombustíveis podem afetar as decisões das usinas. O relatório do USDA para o Brasil projeta exportações de açúcar menores em 2026/27, em parte devido ao direcionamento de matéria-prima para etanol.
4. Exportações brasileiras de açúcar
O desempenho das exportações brasileiras é um dos fatores que mais influenciam a disponibilidade global. O volume embarcado depende da produção, dos estoques, da competitividade do açúcar brasileiro, da taxa de câmbio e da logística dos portos.
De acordo com a projeção do USDA para o ano comercial 2026/27, o Brasil poderá exportar aproximadamente 33,6 milhões de toneladas de açúcar, em valor bruto, sendo cerca de 29,5 milhões de toneladas de açúcar bruto e 4,1 milhões de toneladas de açúcar refinado. Para comparação, as exportações estimadas para o ano comercial anterior foram de 34,1 milhões de toneladas.
Principais pontos para acompanhar:
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Porto de Santos: filas, disponibilidade de navios, ritmo de embarques e custos logísticos podem afetar os prazos e a competitividade.
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Câmbio: a valorização do real pode reduzir a receita em moeda nacional das exportações, enquanto um real mais desvalorizado pode aumentar a atratividade das vendas externas.
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Oferta exportável: uma redução da produção ou o aumento da destinação para etanol pode diminuir o volume disponível para contratos de exportação.
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Demanda internacional: as compras de grandes importadores, principalmente China e países asiáticos, influenciam a velocidade dos embarques.
O relatório do USDA aponta que a China foi o principal destino do açúcar brasileiro no ano comercial 2025/26, com 4,6 milhões de toneladas, seguida pela Índia, com 3,1 milhões, e pela Argélia, com 2,1 milhões.
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5. Influência da China nas cotações internacionais
A China é um dos principais compradores mundiais de açúcar e tem capacidade de influenciar o comércio internacional por meio do volume e do momento de suas importações.
Em agosto, o país importou 650 mil toneladas, mas o acumulado dos oito primeiros meses de 2026 ainda ficou 13,5% abaixo do registrado em 2025. Os estoques domésticos elevados podem reduzir a necessidade de novas compras, mesmo diante de preocupações com a oferta mundial.
O que pode acontecer no mercado?
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Se a China aumentar as importações, poderá ampliar a demanda por açúcar brasileiro e de outras origens, contribuindo para sustentar os preços.
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Se mantiver estoques elevados e reduzir as compras, poderá diminuir a pressão sobre a oferta mundial e limitar as altas.
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Se os preços internacionais ficarem muito elevados, compradores chineses poderão adiar ou reduzir aquisições, dependendo da competitividade do açúcar importado em relação ao produto doméstico.
A China, portanto, representa uma variável importante para as expectativas de exportação do Brasil, mas seu comportamento deve ser analisado em conjunto com os estoques, o consumo interno e os preços internacionais.
6. Índia: exportações e disponibilidade mundial
A Índia tem um papel estratégico porque, dependendo do volume de sua safra e das necessidades internas, pode alternar entre uma posição de grande exportador e uma situação de oferta doméstica mais apertada.
As condições climáticas, a produtividade dos canaviais e a utilização da cana para produzir etanol são fatores que podem reduzir o excedente disponível para exportação. A Reuters, em junho, destacou o risco de excedentes exportáveis limitados por várias safras, devido às condições climáticas e à demanda crescente de etanol.
Por outro lado, a evolução da produção indiana também pode surpreender o mercado. Uma safra maior, com excedente suficiente para exportação, aumentaria a oferta internacional e poderia limitar os preços.
Ponto de atenção para o Brasil
Uma menor disponibilidade de açúcar indiano pode aumentar a importância do açúcar brasileiro no comércio global. Entretanto, não significa automaticamente preços mais altos: a produção da Tailândia, a demanda da China e a oferta de outros países também precisam ser consideradas.
7. Petróleo e sua influência no mercado de açúcar
O petróleo influencia o mercado de açúcar principalmente por meio da competitividade do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.
Quando o petróleo e os combustíveis sobem, o etanol pode ganhar atratividade econômica, dependendo dos preços da gasolina e das condições do mercado interno. Isso pode estimular as usinas a destinarem mais cana à produção de etanol, reduzindo a quantidade de açúcar disponível.
Entretanto, essa relação não é automática. Se o açúcar estiver oferecendo uma remuneração significativamente maior, as usinas poderão preferir sua produção, mesmo em um cenário de petróleo valorizado, desde que as condições industriais permitam.
Em 29 de setembro, a Reuters destacou que as condições climáticas estavam limitando a capacidade de aumentar o mix de açúcar no Brasil, apesar da melhora da rentabilidade do adoçante.
Assim, o petróleo é um fator importante, mas deve ser observado juntamente com os preços do etanol, da gasolina, do açúcar e as condições de produção.
8. Entressafra brasileira e perspectivas
A entressafra do Centro-Sul se aproxima à medida que as usinas avançam para o encerramento da moagem, previsto normalmente para o fim do ano. Nesse período, o mercado passa a depender mais dos estoques acumulados, do açúcar já produzido, dos embarques programados e da produção de outras regiões.
Principais fatores para a entressafra 2026/27:
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Disponibilidade de estoques: os volumes disponíveis nas usinas e nos armazéns serão importantes para atender aos compradores até o início da próxima safra.
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Condições climáticas: chuvas excessivas podem atrasar a colheita e reduzir o volume efetivamente processado, enquanto condições desfavoráveis às lavouras também podem afetar a safra seguinte.
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Produção do Norte e Nordeste: a moagem e a oferta dessas regiões podem ajudar a complementar a disponibilidade durante a entressafra do Centro-Sul.
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Ritmo das exportações: embarques elevados no final da safra podem reduzir os estoques disponíveis no mercado interno.
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Demanda de etanol: o consumo de combustíveis e a rentabilidade do biocombustível podem influenciar as decisões de produção e os estoques das usinas.
Perspectiva para a entressafra
A possibilidade de uma produção de açúcar abaixo das projeções iniciais no Centro-Sul, somada às dificuldades climáticas e às incertezas sobre o excedente exportável de outros países, pode manter o mercado atento à disponibilidade de açúcar.
Entretanto, a intensidade de qualquer valorização dependerá também da demanda internacional, dos estoques, da evolução das exportações indianas e da capacidade de as usinas brasileiras manterem o abastecimento durante a entressafra.
9. O que pode fazer o mercado oscilar nas próximas semanas?
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Fator |
Possível influência sobre o açúcar |
|---|---|
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Chuvas excessivas no Brasil |
Alta, se reduzirem a produção e a oferta |
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Recuperação da moagem |
Baixa, se ampliar a oferta |
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Aumento das importações da China |
Alta, se elevar a demanda mundial |
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Aumento das exportações da Índia |
Baixa, se ampliar a oferta global |
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Maior rentabilidade do etanol |
Alta, se reduzir a produção de açúcar |
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Petróleo em alta |
Variável, conforme a competitividade do etanol |
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Real desvalorizado |
Variável, podendo favorecer a competitividade exportadora |
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Estoques elevados nos importadores |
Baixa, se reduzirem a necessidade de compras |
As setas indicam a direção potencial do efeito, não uma previsão de preço. A intensidade depende das demais condições de mercado.
10. Resumo executivo — Radar do Açúcar Dancor
O mercado brasileiro encerra setembro com o indicador CEPEA/ESALQ em R$ 121,27 por saca de 50 kg, após uma alta diária de 0,86%.
A principal questão neste momento é a capacidade de produção do Centro-Sul. As chuvas, os atrasos na colheita e o menor teor de açúcar na cana podem reduzir a oferta disponível e limitar as exportações brasileiras.
No mercado externo, China e Índia permanecem no centro das atenções. A evolução das importações chinesas e do excedente exportável indiano poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.
A rentabilidade do etanol, a evolução do petróleo, o câmbio e os estoques para a entressafra também serão determinantes para as próximas movimentações.
Conclusão
O mercado de açúcar está diante de um período em que as condições climáticas brasileiras e a disponibilidade de matéria-prima ganham importância. Mesmo com preços internacionais mais atrativos, a capacidade das usinas de produzir açúcar adicional depende da qualidade da cana e das condições de moagem.
Para o mercado interno, será importante acompanhar o ritmo da oferta física, a evolução do indicador CEPEA/ESALQ e a demanda das indústrias consumidoras. No mercado internacional, o comportamento dos contratos futuros, as compras da China e as decisões de exportação da Índia serão referências importantes para avaliar as oscilações das próximas semanas.
Análise informativa baseada nas notícias e nos dados localizados até 30/09/2026. As projeções estão sujeitas a alterações de acordo com o clima, a produção, a demanda e as condições de mercado.
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