Radar do Açúcar Dancor
Terça-feira, 27 de outubro de 2026 | Mercado brasileiro e internacional
O mercado de açúcar começa esta terça-feira sob influência de dois movimentos importantes: a redução da produção acumulada de açúcar no Centro-Sul brasileiro e a pressão das cotações internacionais provocada pela desvalorização do real. Ao mesmo tempo, a decisão da Índia de ampliar o prazo para importações de açúcar sem tarifa pode alterar o equilíbrio da oferta mundial.
Investing.com Brasil+2
INDICADOR CEPEA/ESALQ — AÇÚCAR CRISTAL BRANCO SP
R$ 127,05
Saca de 50 kg | US$ 23,56 por saca
+1,28%
em 26/10/2026
Valor informado para o mercado paulista. A alta do indicador doméstico pode coexistir com a queda dos contratos internacionais, pois são mercados diferentes, com influência do câmbio, dos estoques e das condições comerciais internas.
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Não consegui acionar a ferramenta de geração da imagem neste momento. Abaixo está a análise do mercado, com os links das notícias consultadas, para o boletim Radar do Açúcar Dancor.
1. Notícias relevantes do mercado
Produção de açúcar no Centro-Sul recua 10,29%
23/10/2026 · CNN Brasil / UNICA
A produção acumulada chegou a 24,08 milhões de toneladas até o fim de agosto, ante 26,84 milhões no mesmo período anterior. A moagem de cana aumentou 1,81%, mas a maior destinação ao etanol reduziu a fabricação de açúcar.
CNN Brasil+1
Índia prorroga prazo para importação de açúcar
22/10/2026 · Reuters
O governo indiano estendeu até 31 de dezembro o prazo para importar até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa, dentro do regime autorizado. A medida pode aumentar a demanda internacional por açúcar importado, dependendo das compras efetivamente realizadas.
Reuters
Exportações brasileiras e programação de navios
23/10/2026 · Safras & Mercado
O levantamento apontou 1,713 milhão de toneladas programadas para embarque, com 49 navios na fila. Santos concentrava aproximadamente 1,057 milhão de toneladas. O volume programado é uma fotografia logística, não necessariamente o total já embarcado.
SAFRAS & Mercado
Açúcar internacional cai com desvalorização do real
26/10/2026 · Reuters
Os contratos internacionais de açúcar recuaram diante da forte desvalorização da moeda brasileira. Quando o real perde valor frente ao dólar, as vendas externas podem se tornar mais atrativas para as usinas brasileiras, aumentando a pressão sobre as cotações internacionais.
Investing.com Brasil+1
China: importações menores podem limitar a demanda
22/10/2026 · YnSugar Market Intelligence
Dados publicados pela fonte indicam importações de aproximadamente 2,51 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, queda de 20,4% em relação ao ano anterior. A menor necessidade de compras externas pode limitar a demanda global, embora estoques, preços e atividade das refinarias também influenciem as próximas decisões.
YnSugar
2. Análise de fácil entendimento: o que aconteceu ontem?
O pregão de segunda-feira, 26 de outubro, apresentou pressão expressiva sobre os contratos internacionais de açúcar. A desvalorização do real tornou o açúcar brasileiro potencialmente mais competitivo no mercado externo, incentivando a oferta dos exportadores.
O fechamento divulgado pela ChiniMandi registrou:
| Referência | Fechamento de 26/10 | Variação |
|---|---|---|
| NY nº 11 — contrato SBV26 | 19,10 cents/lb | -5,63% |
| Londres nº 5 — contrato SWV26 | US$ 515,40/t | -3,63% |
Fonte: ChiniMandi — boletim de 27/10.
ChiniMandi
Esses números são de contratos futuros internacionais e não devem ser confundidos com o indicador físico paulista do CEPEA/ESALQ.
Por que o indicador brasileiro subiu 1,28% enquanto as bolsas internacionais caíram?
Não há contradição obrigatória. O indicador paulista reflete o mercado físico doméstico, enquanto as bolsas internacionais refletem preços futuros negociados globalmente. Disponibilidade de açúcar para pronta entrega, demanda das usinas e compradores, condições comerciais e câmbio podem produzir movimentos diferentes no mesmo dia.
3. Como está a produção de açúcar no Brasil?
Os dados da UNICA divulgados em 23 de outubro mostram uma safra com maior processamento de cana, mas menor produção acumulada de açúcar no Centro-Sul.
CNN Brasil+1
Produção de açúcar acumulada
-10,29%
24,08 milhões t na safra 2026/27, contra 26,84 milhões t no período comparável anterior.
Moagem acumulada de cana
+1,81%
412,37 milhões de toneladas até o período informado pela UNICA.
Participação da cana destinada ao açúcar
46,56%
53,44% foi destinada ao etanol no acumulado considerado.
A leitura comercial é importante: processar mais cana não significa necessariamente produzir mais açúcar. Se as usinas destinam uma parcela maior da matéria-prima ao etanol, a oferta de açúcar pode cair mesmo com a moagem crescendo.
4. Quais fatores fazem o mercado oscilar?
Mix de açúcar e etanol
Quando o etanol oferece melhor retorno econômico, a usina pode direcionar mais cana para o combustível. Isso reduz o volume potencial de açúcar e pode sustentar os preços. Se o açúcar oferecer maior rentabilidade, o movimento pode se inverter.
Exportações do Brasil
O Brasil é um dos principais fornecedores mundiais. Embarques fortes aumentam a disponibilidade internacional; atrasos de navios, chuvas, problemas portuários ou redução da produção podem restringir a oferta imediata. O line-up de navios ajuda a acompanhar essa movimentação.
Importações da China
Se a China compra mais açúcar, aumenta a demanda internacional e pode dar suporte às cotações. Se utilizar estoques domésticos, ampliar a produção interna ou reduzir importações, o efeito tende a ser de menor sustentação dos preços. Os dados recentes apontam queda nas importações acumuladas.
YnSugar+1
Exportações e importações da Índia
A Índia é grande produtora e consumidora. Quando exporta grandes volumes, aumenta a oferta mundial e pode pressionar os preços. Quando sua produção é insuficiente, as exportações são limitadas ou o país passa a importar, a demanda internacional pode aumentar. A autorização de importação de até 1 milhão de toneladas sem tarifa é, portanto, um fator importante para acompanhar.
reuters.com+1
Preço do petróleo
Petróleo mais caro pode melhorar a competitividade do etanol e incentivar as usinas brasileiras a produzir mais combustível, reduzindo a oferta de açúcar. Petróleo em queda pode diminuir esse incentivo. O efeito, porém, depende também dos preços do etanol, da gasolina e das condições de cada usina.
Clima e produtividade
Chuvas excessivas podem interromper a colheita e a moagem; seca e calor podem reduzir o desenvolvimento da cana. A qualidade da matéria-prima, medida também pelo ATR, afeta a quantidade de açúcar que pode ser produzida por tonelada processada.
Câmbio e fundos de investimento
A desvalorização do real tende a estimular a venda externa do açúcar brasileiro, pois os dólares recebidos rendem mais em moeda nacional. A valorização do real pode produzir o efeito contrário. Fundos e operadores também amplificam movimentos por meio de compras, vendas e realização de lucros.
5. Entressafra: o que esperar?
A entressafra do Centro-Sul, que normalmente ganha força entre o fim do ano e os primeiros meses do ano seguinte, reduz gradualmente a moagem das usinas da região. Isso torna a disponibilidade imediata de açúcar um fator particularmente importante.
Fatores que podem sustentar os preços:
-
Menor oferta de açúcar novo durante a redução da moagem.
-
Estoques mais apertados e necessidade de reposição por compradores.
-
Continuidade de problemas climáticos ou logísticos.
-
Maior demanda internacional, inclusive se a Índia efetivar suas importações.
Fatores que podem limitar as altas:
-
Real desvalorizado, favorecendo a comercialização brasileira no exterior.
-
Importações menores pela China.
-
Oferta de açúcar de outros países produtores.
-
Estoques elevados, demanda fraca ou maior competitividade do etanol em sentido contrário ao esperado.
A entressafra não garante alta automática. O efeito dependerá da quantidade de açúcar disponível nos estoques, dos compromissos de exportação, do ritmo de consumo e do comportamento das cotações internacionais.
6. Perspectiva comercial para os próximos meses
A situação combina um fator de suporte — a queda acumulada da produção de açúcar no Centro-Sul — com fatores de pressão, especialmente o câmbio e a evolução da demanda internacional.
Para a Dancor, vale acompanhar diariamente o indicador CEPEA/ESALQ, os contratos de Nova York e Londres, o dólar, o mix das usinas, a programação de embarques de Santos e Paranaguá e as decisões de importação da China e da Índia.
A perspectiva para a entressafra é de possível maior sensibilidade do mercado a interrupções de oferta, mas sem garantia de valorização contínua. A evolução do câmbio e a disponibilidade efetiva de açúcar podem neutralizar parte do efeito sazonal.
DANCOR CORRETORA DE AÇÚCAR
Informação de mercado para decisões comerciais mais conscientes.
Dancor Corretora – WhatsApp 16 99229-2104 – www.dancorretora.com.br
Nota editorial: o indicador de R$ 127,05 e a variação de +1,28% foram fornecidos por você. As notícias e os dados citados correspondem às publicações identificadas nos links acima. As perspectivas são análises de mercado, não garantias de preço.