O grande ponto de atenção agora não é apenas o tamanho da safra brasileira, mas quanto dessa cana efetivamente será transformado em açúcar

RADAR DO AÇÚCAR DANCOR

Mercado de Açúcar — Atualização de 22/09/2026

Período analisado: 21/09/2026 a 22/09/2026, com prioridade para as informações mais recentes disponíveis nesta manhã.

🔎 Leitura rápida do mercado

O mercado chega a 22 de setembro com o açúcar internacional reagindo, enquanto o mercado físico paulista continua firme. O principal movimento das últimas 24 horas foi a recuperação do NY #11, que chegou a 18,40–18,41 cents/lb, depois de ter tocado níveis mais baixos na semana anterior. No Brasil, o CEPEA/ESALQ subiu para R$ 120,13/saca, mantendo setembro positivo.

Ao mesmo tempo, há forças em sentidos opostos: menor disponibilidade potencial de açúcar em algumas regiões, maior direcionamento para etanol e riscos climáticos dão sustentação; por outro lado, produção brasileira ainda elevada, melhora da perspectiva da Tailândia e estoques/importações chinesas mais confortáveis limitam uma alta mais forte.


1. 📰 PRINCIPAIS NOTÍCIAS

🇧🇷 Brasil — dados de comércio exterior da 3ª semana de setembro

Data: 21/09/2026

O MDIC divulgou ontem os dados preliminares da balança comercial da terceira semana de setembro. O relatório é importante para acompanhar o ritmo das exportações brasileiras, embora a publicação oficial não detalhe, na página-resumo, os volumes de açúcar individualmente.

Impacto para o açúcar:
O ritmo de exportações é importante porque, quanto maior a saída física do produto, menor tende a ser a disponibilidade imediata no mercado interno. Os dados detalhados devem ser acompanhados pelo ComexStat.

MDIC — Balança Comercial da 3ª semana de setembro


🌧️ Brasil — mudança importante no mapa de secas

Data: 21/09/2026

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico informou ontem que a área brasileira afetada por algum grau de seca aumentou de 52% para 67% do território entre as avaliações consideradas. Entretanto, a situação é regionalizada: a seca se intensificou no Nordeste, Centro-Oeste e Norte, enquanto Sudeste e Sul apresentaram melhora, com o Sul sem área classificada em seca.

Impacto para o açúcar:
Para o Centro-Sul, a informação precisa ser acompanhada junto com chuva, temperatura e ritmo de colheita. Chuva excessiva pode atrapalhar a moagem; seca excessiva pode afetar o desenvolvimento da cana. O efeito final sobre o açúcar depende da região e da fase da lavoura.

ANA — Monitor de Secas, atualização de 21/09/2026


🌎 Açúcar internacional — forte recuperação no NY #11

Data: 22/09/2026

O açúcar #11 estava em aproximadamente 18,41 cents/lb às 7h29 desta terça-feira, praticamente estável no início do pregão, depois de uma forte recuperação na sessão de 21/09. A série mostra fechamento de 18,40 cents/lb em 21/09, contra 18,26 em 18/09.

Impacto:
A recuperação internacional melhora a paridade de exportação do açúcar brasileiro e pode aumentar o interesse das usinas em manter ou elevar a parcela de cana destinada ao açúcar.

Cotação internacional do açúcar — histórico atualizado


🇨🇳 China — importações de agosto caíram

Data da informação: 20/09/2026

Dados citados pela Reuters mostraram que as importações chinesas de açúcar em agosto caíram 13,5%, para aproximadamente 650 mil toneladas. A informação foi divulgada em conjunto com dados sobre o mercado internacional.

Impacto:
Menores compras chinesas significam menor demanda imediata no mercado internacional. Isso funciona como fator de pressão sobre NY e Londres. Porém, uma eventual recomposição de estoques ou aumento das compras chinesas teria efeito contrário.

Reuters — Mercado internacional de açúcar


🇮🇳 Índia — exportações continuam restritas

A Índia mantém a proibição de exportação de açúcar até 30/09/2026, salvo as exceções previstas pelo governo. A medida foi adotada para proteger a disponibilidade doméstica.

Impacto:
Esse é um fator de sustentação para o mercado mundial. Se a Índia permanecer fora do mercado exportador, Brasil e Tailândia ganham importância para abastecer compradores internacionais.

O ponto crítico agora é o que acontecerá depois de 30 de setembro: eventual flexibilização pode aumentar a oferta mundial; manutenção da restrição pode continuar sustentando os preços.

Reuters — Índia restringe exportações de açúcar


🌎 Czarnikow — déficit mundial foi reduzido

Data: 15/09/2026

A Czarnikow revisou sua estimativa para o balanço mundial de 2026/27. A previsão passou para déficit de aproximadamente 300 mil toneladas, contra 900 mil toneladas anteriormente.

A principal alteração veio da Tailândia, cuja produção projetada foi elevada para cerca de 10,4 milhões de toneladas, após chuvas melhores que o esperado. A produção mundial foi estimada em 178,9 milhões de toneladas, contra consumo de 179,2 milhões.

Impacto:
É um fator de equilíbrio: existe déficit projetado, mas ele é relativamente pequeno. Portanto, o mercado não está diante de uma falta global de açúcar, mas também não apresenta uma grande sobra projetada para 2026/27.

Czarnikow — Global Sugar Outlook Remains Tight


2. 📈 INDICADOR CEPEA/ESALQ

Açúcar Cristal Branco — São Paulo

Data R$/saca 50 kg Variação US$/saca
15/09 R$ 118,15 -1,06% US$ 22,92
16/09 R$ 119,28 +0,96% US$ 23,11
17/09 R$ 119,58 +0,25% US$ 23,26
18/09 R$ 120,05 +0,39% US$ 23,33
21/09 R$ 120,13 +0,07% US$ 23,52

Fonte CEPEA/ESALQ, reproduzida em cotações especializadas.

O indicador acumulava +5,61% no mês de setembro em 21/09.

Leitura do físico

O comportamento é de mercado firme, mas sem aceleração forte no último pregão.

Entre 15 e 21 de setembro, a saca passou de R$ 118,15 para R$ 120,13, ganho de aproximadamente R$ 1,98/saca.

Um ponto interessante é a diferença entre São Paulo e Santos: em 21/09, o indicador de Santos estava em R$ 125,33/saca, enquanto o indicador paulista estava em R$ 120,13.

Isso mostra que a logística, o destino e a condição comercial continuam fazendo diferença relevante na formação do preço.


3. 🇧🇷 PRODUÇÃO BRASILEIRA

Safra 2026/27

A informação oficial mais recente da Conab disponível é o 2º levantamento da safra 2026/27, publicado em 20/08/2026.

A Conab estima:

  • 705,2 milhões de toneladas de cana;
  • aumento de 4,7% sobre 2025/26;
  • área colhida de aproximadamente 9,1 milhões de hectares;
  • produtividade média estimada em 77,905 t/ha;
  • produção de açúcar estimada em 42,89 milhões de toneladas;
  • queda de 2,9% na produção de açúcar;
  • etanol de cana estimado em 29,98 bilhões de litros, alta de 9,7%.

Conab — 2º Levantamento da Safra 2026/27

O ponto mais importante

Mais cana não significa necessariamente mais açúcar.

A Conab estima aumento de 4,7% na cana, mas redução de 2,9% no açúcar. Isso acontece principalmente porque uma parcela maior da matéria-prima pode ser direcionada ao etanol.

Esse é um dos pontos centrais do mercado neste momento.


4. 🍬 MIX AÇÚCAR × ETANOL

O Brasil está em uma situação de flexibilidade elevada entre açúcar e etanol.

A Conab projeta aumento de 9,7% no etanol de cana, ao mesmo tempo em que prevê queda de 2,9% no açúcar.

Além disso, o Brasil elevou temporariamente a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32), aumentando a necessidade de etanol anidro.

O que isso significa?

Quando o etanol fica relativamente mais remunerador:

cana → etanol → menos açúcar disponível

Quando o açúcar internacional sobe e a exportação fica mais remuneradora:

cana → açúcar → maior oferta de açúcar

É justamente essa capacidade de mudança que torna o mix um dos principais indicadores para acompanhar nas próximas semanas.


5. 🚢 EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

O MDIC publicou em 21/09 os dados preliminares da terceira semana de setembro. O órgão direciona os usuários ao ComexStat para os dados detalhados por produto.

ComexStat — comércio exterior brasileiro

Para o açúcar, a leitura atual é:

  • exportações continuam sendo uma importante válvula de escoamento da produção;
  • dólar próximo de R$ 5,11 influencia diretamente a paridade;
  • NY #11 próximo de 18,40 cents/lb melhora a remuneração potencial da exportação;
  • Santos continua sendo o principal corredor logístico para o açúcar brasileiro.

O MAPA mantém uma base específica com exportações brasileiras de açúcar por ano, país e local de embarque.

MAPA — Comércio Exterior Brasileiro de Açúcar


6. 🇨🇳 CHINA

A China merece atenção especial.

As importações de açúcar de agosto ficaram em aproximadamente 650 mil toneladas, 13,5% abaixo do mesmo período, segundo dados citados pela Reuters.

Além disso, a Czarnikow elevou sua previsão de produção chinesa para 13,5 milhões de toneladas em 2026/27, o que pode reduzir a necessidade de importações.

Cenário

China aumentando compras:
→ maior demanda internacional
→ menor disponibilidade exportável
→ potencial suporte para NY/Londres.

China reduzindo compras:
→ menor demanda
→ maior disponibilidade no mercado internacional
→ pressão sobre preços.

Neste momento, os dados recentes de importação não mostram uma aceleração da demanda chinesa.


7. 🇮🇳 ÍNDIA

A Índia continua sendo um dos principais pontos de atenção.

A proibição de exportações permanece prevista até 30 de setembro, com exceções específicas.

Isso retira temporariamente uma parcela importante da oferta potencial do mercado mundial.

Próximo ponto crítico

30/09/2026.

O mercado deverá observar:

  1. se a restrição será prorrogada;
  2. se haverá liberação de alguma quota;
  3. como estará a produção da próxima safra;
  4. qual será o direcionamento da cana para etanol.

Se a Índia voltar a exportar volumes significativos, haverá aumento da oferta mundial, potencialmente pressionando NY e Londres.

Se continuar restringindo exportações, o Brasil continuará tendo papel ainda mais importante no abastecimento internacional.


8. 🛢️ PETRÓLEO E ETANOL

O petróleo continua elevado.

O Brent permanece acima de US$ 100/barril, embora tenha recuado recentemente diante das expectativas de avanços diplomáticos envolvendo EUA e Irã.

Relação com açúcar

Normalmente:

petróleo sobe → gasolina fica mais cara → etanol ganha competitividade → usinas têm maior incentivo para produzir etanol → potencialmente menos açúcar.

Mas essa relação não é automática.

Se o açúcar internacional estiver muito remunerador, a usina pode continuar direcionando mais cana para açúcar mesmo com petróleo elevado.

Além disso, o Brasil tem uma característica particular: a mistura obrigatória de etanol na gasolina e a forte participação do etanol na matriz de combustíveis.


9. 🌎 MERCADO INTERNACIONAL

NY #11

22/09, manhã: aproximadamente 18,41 cents/lb.

Em 21/09, o mercado fechou próximo de 18,40 cents/lb, depois de uma forte recuperação.

Londres #5

O contrato de açúcar branco fechou em US$ 507,50/t em 21/09, queda de 0,26%.

Dólar

O dólar estava próximo de R$ 5,11 na manhã de 22/09.

Leitura conjunta

O quadro atual é:

NY mais firme + dólar ainda elevado = suporte para a paridade de exportação brasileira.

Por outro lado:

produção brasileira elevada + China comprando menos + perspectiva de maior produção da Tailândia = limitadores de alta.


10. 🌱 ENTRESSAFRA

O Brasil ainda está dentro da fase de produção da safra 2026/27, portanto a entressafra ainda não representa uma falta imediata de açúcar.

Porém, o mercado já começa a olhar para o período em que a moagem brasileira diminuir.

O que pode acontecer?

À medida que:

  • algumas usinas encerrarem a moagem;
  • a disponibilidade física diminuir;
  • compradores precisarem recompor estoques;
  • exportações continuarem retirando açúcar do mercado;

a disputa pelo açúcar disponível pode aumentar.

Risco de alta

  • menor produção efetiva;
  • maior direcionamento da cana para etanol;
  • problemas climáticos na colheita;
  • Índia mantendo restrições;
  • aumento das compras chinesas;
  • NY permanecendo acima dos níveis recentes.

Risco de baixa

  • moagem brasileira forte;
  • maior produção de açúcar;
  • usinas aumentando o mix açucareiro;
  • Índia liberando exportações;
  • China reduzindo compras;
  • recuperação das safras da Tailândia;
  • petróleo recuando e reduzindo a atratividade relativa do etanol.

11. 📊 FATORES DE ALTA × FATORES DE BAIXA

🟢 Fatores que podem sustentar o açúcar 🔴 Fatores que podem pressionar
NY #11 acima de 18 cents/lb Produção brasileira de cana elevada
Índia ainda com exportações restritas China importando menos
Maior produção brasileira de etanol Melhora da produção da Tailândia
Possível redução do mix para açúcar Maior produção mundial
Dificuldades climáticas localizadas Maior disponibilidade física brasileira
Entrada gradual na entressafra Eventual retorno da Índia ao mercado
Dólar próximo de R$ 5,11 Petróleo recuando
Demanda de reposição no físico Aumento do mix de açúcar pelas usinas

12. 🔎 O QUE ACOMPANHAR NOS PRÓXIMOS DIAS

1. 🇮🇳 Índia — principal evento

A decisão sobre as exportações após 30/09 pode provocar forte alteração na percepção de oferta mundial.

2. 🇧🇷 Centro-Sul

Acompanhar:

  • moagem;
  • ATR;
  • produtividade;
  • chuva;
  • encerramento de unidades;
  • mix açúcar/etanol.

3. 🌎 NY #11

A região de 18 cents/lb passa a ser importante referência para observar se a recuperação internacional ganha continuidade ou perde força.

4. 🇨🇳 China

Novos dados de importação e estoques serão importantes para avaliar se a queda de agosto foi pontual ou representa mudança de comportamento.

5. 🛢️ Petróleo

Movimentos do Brent acima ou abaixo de US$ 100 podem alterar a relação econômica entre açúcar e etanol.

6. 💵 Dólar

Para o produtor brasileiro, o câmbio continua fundamental para determinar a remuneração em reais da exportação.


13. 📌 RESUMO FINAL

Mercado hoje

O mercado físico brasileiro permanece firme, com o CEPEA/ESALQ em R$ 120,13/saca, enquanto o açúcar NY #11 se recuperou para a região de 18,40–18,41 cents/lb.

A sustentação vem principalmente da combinação de menor disponibilidade potencial de açúcar, maior competitividade do etanol, restrição das exportações indianas e preocupação climática.

Por outro lado, a maior produção de cana brasileira, menor ritmo das importações chinesas e melhora da perspectiva da Tailândia impedem, por enquanto, uma leitura de escassez mundial severa.

🟢 Fatores de alta

  • NY #11 recuperando-se;
  • Índia fora do mercado exportador;
  • maior produção brasileira de etanol;
  • possibilidade de menor disponibilidade de açúcar;
  • clima e ritmo de colheita;
  • aproximação da entressafra;
  • dólar ainda próximo de R$ 5,10.

🔴 Fatores de baixa

  • aumento estimado da produção de cana brasileira;
  • possibilidade de maior produção de açúcar;
  • importações chinesas mais fracas;
  • melhora da safra tailandesa;
  • possibilidade de retorno da Índia às exportações;
  • petróleo recuando;
  • eventual aumento do mix açucareiro das usinas.

🎯 Ponto central do Radar

O mercado brasileiro está mais firme que o mercado internacional sugere isoladamente.

O grande ponto de atenção agora não é apenas o tamanho da safra brasileira, mas quanto dessa cana efetivamente será transformado em açúcar. A combinação entre preço do açúcar, preço do etanol, petróleo, E32 e câmbio determinará o mix das usinas e, consequentemente, a disponibilidade de açúcar no mercado.

Importante: não encontrei, até esta manhã, uma nova divulgação da UNICA referente à quinzena de setembro de 2026; a página oficial da entidade mostra como publicação de safra mais recente a segunda quinzena de maio. Por isso, não atribuo números de moagem acumulada de setembro de 2026 à UNICA sem uma publicação verificável. A Conab, por sua vez, tem como levantamento oficial mais recente o 2º levantamento de 20/08/2026.

Dancor Corretora de Açúcar
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