O mercado doméstico ganhou força acompanhado pela recuperação do açúcar internacional

Radar do Açúcar Dancor — 18/08/2026

Correção importante: o valor de R$ 99,94/saca corresponde ao Indicador CEPEA/ESALQ de 17/08/2026, e não de 12/08. A alta foi de 2,08% no dia, saindo de R$ 97,90 para R$ 99,94. Em relação a 12/08, quando estava em R$ 97,41, a valorização acumulada até 17/08 foi de aproximadamente 2,60%.

📈 O que aconteceu ontem?

O mercado doméstico ganhou força acompanhado pela recuperação do açúcar internacional. No dia 17, o contrato de açúcar bruto nº 11 na ICE chegou a 16,96 cents/lb e fechou em torno de 16,90 cents/lb, com forte atuação compradora e sinais de cobertura de posições vendidas. O açúcar branco em Londres também terminou próximo das máximas do dia.

No mercado brasileiro, o movimento ganhou força porque as perspectivas de produção estão mais apertadas. Análises recentes revisaram para baixo estimativas para o Centro-Sul, citando efeitos das chuvas sobre o teor de açúcar da cana, além de ajustes nas premissas de moagem e mix.

Minha leitura: a alta de ontem não deve ser interpretada apenas como uma reação pontual. O mercado está começando a precificar menor folga entre oferta e demanda, principalmente para os próximos meses.


🌦️ 1. Clima — hoje é um dos principais riscos

O clima ganhou ainda mais importância nesta semana. A Reuters informou em 18/08 que o fenômeno El Niño está se fortalecendo, com possibilidade superior a 90% de um evento muito forte no segundo semestre de 2026/início de 2027.

Para o açúcar, o efeito é diferente entre países:

  • Brasil: excesso de chuva pode atrapalhar a colheita e reduzir a qualidade da cana no curto prazo;
  • Índia: El Niño tende a reduzir as chuvas de monções, ameaçando produtividade;
  • Tailândia: também pode sofrer com menor disponibilidade hídrica;
  • Para o Brasil, chuvas posteriores também podem favorecer a próxima safra, portanto o efeito climático não é simplesmente “altista”.

Conclusão: clima aumenta a volatilidade e faz o mercado reagir rapidamente às previsões meteorológicas.


🇨🇳 2. China — demanda que pode sustentar os preços

A China continua sendo um comprador fundamental para o açúcar brasileiro. Na safra 2025/26, foi o principal destino do açúcar brasileiro, com 4,6 milhões de toneladas, cerca de 13% das exportações brasileiras no período.

Assim, uma retomada das importações chinesas ou recomposição de estoques tende a dar suporte ao mercado internacional e, consequentemente, ao açúcar brasileiro.

Por outro lado, uma redução das compras chinesas seria um fator baixista, principalmente porque o Brasil precisa escoar grandes volumes para exportação.


🇮🇳 3. Índia — uma notícia muito importante de hoje

Aqui temos uma das notícias mais relevantes desta manhã.

A Índia está estudando importações limitadas de açúcar com isenção de tarifa, algo que não ocorre há quase uma década. Os preços internos subiram cerca de 20% em agosto, chegando a níveis recordes, justamente antes do período de festas entre agosto e novembro.

Isso é importante porque a Índia:

  • é um dos maiores produtores e consumidores mundiais;
  • restringiu suas exportações até 30/09/2026;
  • está enfrentando preços internos elevados;
  • pode precisar importar para aumentar a disponibilidade doméstica.

Para o mercado internacional, a possibilidade de a Índia virar compradora é um fator potencialmente altista.


⛽ 4. Mix açúcar x etanol

No Brasil, esse é um dos principais pontos para acompanhar.

O governo elevou temporariamente a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida aumenta a demanda potencial por etanol e pode incentivar as usinas a direcionarem mais cana para o biocombustível em determinadas condições de preço.

A lógica é simples:

Etanol mais rentável → mais cana para etanol → menos açúcar disponível → pressão altista sobre o açúcar.

O USDA projeta para 2026/27 exportações brasileiras de açúcar menores, em torno de 33,6 milhões de toneladas, justamente em parte devido à menor disponibilidade provocada pelo direcionamento de cana para etanol.


🚢 5. Exportações brasileiras

O Brasil continua sendo o principal exportador mundial de açúcar, respondendo por aproximadamente 59% das exportações globais em 2025.

Por isso, o mercado acompanha:

  • ritmo de embarques;
  • disponibilidade de açúcar nas usinas;
  • filas e logística nos portos;
  • câmbio;
  • demanda da China e de outros grandes compradores;
  • disponibilidade de açúcar para exportação durante a entressafra.

Quanto menor a disponibilidade física brasileira, maior a sensibilidade dos preços internacionais.


🛢️ 6. Petróleo

O petróleo influencia o açúcar principalmente através do etanol.

Quando o petróleo sobe, os combustíveis fósseis ficam mais caros e o etanol tende a ganhar competitividade. Isso pode aumentar o interesse das usinas pelo etanol e diminuir a quantidade de cana destinada ao açúcar.

Portanto:

Petróleo ↑ → Etanol mais competitivo → potencialmente mais cana para etanol → açúcar ↓ oferta → preços do açúcar ↑

Mas essa relação não é automática: câmbio, preços do etanol no Brasil e remuneração do açúcar também entram na decisão das usinas.


🌾 E a entressafra 2026/27?

Minha avaliação é de uma entressafra mais sensível e potencialmente mais volátil.

O mercado entra nos meses de menor oferta com vários fatores simultâneos:

✓ Estoques mais ajustados
✓ Índia restringindo exportações
✓ Possibilidade de a Índia importar açúcar
✓ China como grande comprador
✓ Maior demanda potencial por etanol no Brasil
✓ Risco climático relacionado ao El Niño
✓ Brasil com enorme participação no comércio mundial

Isso não significa que o açúcar subirá em linha reta. Realizações de lucro e correções serão normais, principalmente depois da forte valorização recente.


🎯 Resumo para o trader

CEPEA/ESALQ — SP: R$ 99,94/saca
17/08/2026: +2,08%
US$: 19,23/saca

Viés atual: 🟢 FIRME / ALTISTA, mas com alta volatilidade

O principal combustível da alta é a combinação de oferta mais apertada + risco climático + restrições da Índia + recuperação do mercado internacional + possibilidade de maior direcionamento de cana para etanol.

O ponto de atenção é que preços mais altos também estimulam produtores a aumentar fixações e podem provocar realização de lucros.

📰 Fontes consultadas

DANCOR CORRETORA DE AÇÚCAR
📱 WhatsApp: 16 99229-2104
🌐 www.dancorretora.com.br

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