O mercado paulista segue em recuperação. O indicador passou de R$ 96,02 em 07/08 para R$ 97,41 em 12/08

RADAR DO AÇÚCAR DANCOR

Mercado de Açúcar — 13 de agosto de 2026

Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ – São Paulo
12/08/2026: R$ 97,41/saca de 50 kg
US$ 18,83/saca | Alta de 0,48% no dia

O mercado paulista segue em recuperação. O indicador passou de R$ 96,02 em 07/08 para R$ 97,41 em 12/08, acumulando aproximadamente +1,45% no período e +6,46% no mês, segundo o CEPEA. (Cepea Esalq)

🌎 O QUE ESTÁ MOVIMENTANDO O MERCADO?

🇮🇳 Índia: ponto de atenção para o mercado mundial

A Índia continua sendo um dos principais fatores de sustentação dos preços internacionais. O país enfrenta preocupações com a produção de cana devido às chuvas irregulares em Maharashtra e Karnataka.

Além disso, o governo indiano avalia reduzir o uso de cana para produção de etanol na próxima temporada, a partir de outubro, para aumentar a disponibilidade de açúcar. Cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar foram direcionadas ao etanol na temporada atual.

Caso a Índia reduza a produção de etanol à base de cana, poderá aumentar a oferta de açúcar no mercado internacional. Por outro lado, problemas climáticos e menor produção podem limitar as exportações indianas e dar sustentação às cotações. (Reuters)

Leitura Dancor: a Índia continua sendo um dos principais fatores de risco para a volatilidade. Menor oferta indiana = pressão de alta. Maior disponibilidade para exportação = pressão de baixa.

🇨🇳 China: demanda que pode mudar rapidamente o equilíbrio

A China é um comprador importante no mercado mundial e também foi o principal destino do açúcar brasileiro na safra 2025/26, com aproximadamente 4,6 milhões de toneladas.

Em junho de 2026, a China importou cerca de US$ 109 milhões em açúcar bruto, mostrando que o país continua relevante para o fluxo internacional. (FAS USDA Apps)

Se as compras chinesas acelerarem, principalmente para recomposição de estoques, o efeito tende a ser positivo para o açúcar em Nova York e para o mercado brasileiro.

Se a China reduzir as importações, o mercado passa a depender mais da oferta de Brasil, Índia e Tailândia, aumentando o risco de pressão sobre os preços.

🌧️ Clima: o mercado continuará muito sensível

O clima é hoje um dos principais fatores de volatilidade.

No Brasil, a evolução do El Niño está sendo acompanhada de perto. O fenômeno pode trazer efeitos diferentes conforme a região: mais chuvas podem favorecer o desenvolvimento da cana, mas excesso de chuva durante a colheita pode prejudicar o ritmo de moagem.

Na Índia, a preocupação é maior com a irregularidade das chuvas em importantes regiões produtoras. (Cepea Esalq)

Resumo: clima favorável = maior oferta e pressão nos preços. Problemas climáticos = menor produção ou atraso de colheita e possibilidade de alta.

⛽ Petróleo x Etanol x Açúcar

O petróleo influencia diretamente a decisão das usinas brasileiras.

Quando o petróleo sobe, o etanol tende a ganhar competitividade frente à gasolina. Isso pode estimular as usinas a destinarem mais cana para etanol e menos para açúcar.

O resultado é potencialmente altista para o açúcar.

A relação é simples:

Petróleo ↑ → Etanol mais competitivo → Mais cana para etanol → Menor oferta de açúcar → Açúcar ↑

Por isso, petróleo, gasolina, etanol e açúcar precisam ser analisados em conjunto. A OCDE/FAO destaca justamente a produção de etanol a partir da cana no Brasil e na Índia como um dos fatores estruturais que influenciam a oferta mundial de açúcar. (OECD)

🇧🇷 Exportações brasileiras

O Brasil continua sendo o principal fornecedor mundial de açúcar.

Na safra 2025/26, encerrada em março, o país exportou aproximadamente 34,1 milhões de toneladas, com a China como principal destino, respondendo por cerca de 4,6 milhões de toneladas. (FAS USDA Apps)

Para 2026/27, o mercado acompanha principalmente:

  • ritmo de moagem do Centro-Sul;
  • produtividade agrícola;
  • mix açúcar/etanol;
  • disponibilidade de açúcar para exportação;
  • câmbio;
  • prêmio do açúcar branco;
  • logística nos portos brasileiros.

Uma redução dos embarques brasileiros tende a apertar o balanço mundial e favorecer preços. Uma exportação muito forte, por outro lado, aumenta a disponibilidade e pode limitar a alta.

🌾 E A ENTRESSAFRA?

A entressafra brasileira será um dos pontos mais importantes dos próximos meses.

À medida que a moagem avançar para o final da safra, a disponibilidade de açúcar físico tende a ficar mais sensível. Se as usinas reduzirem a oferta spot e o mix continuar favorecendo o etanol, podemos ter maior sustentação dos preços domésticos durante a entressafra.

Por outro lado, uma safra 2026/27 com produção elevada e forte disponibilidade de açúcar pode limitar uma alta mais expressiva.

O cenário mais provável neste momento é de maior volatilidade, com o mercado reagindo rapidamente a clima, petróleo, câmbio, exportações e decisões de Índia e China.

📊 RESUMO DANCOR — 13/08/2026

Cenário atual: MODERADAMENTE ALTISTA, porém com elevada volatilidade.

🟢 Fatores de alta

  • Menor disponibilidade potencial da Índia.
  • Problemas climáticos em importantes regiões produtoras.
  • Possível aumento da demanda chinesa.
  • Petróleo mais forte favorecendo o etanol.
  • Possibilidade de menor disponibilidade de açúcar na entressafra brasileira.
  • Expectativa de menor oferta em alguns grandes produtores.

🔴 Fatores de baixa

  • Brasil continua com grande capacidade exportadora.
  • Maior produção brasileira pode limitar a alta.
  • Eventual aumento das exportações indianas.
  • China pode reduzir o ritmo de compras.
  • Maior disponibilidade de cana para açúcar pode aumentar a oferta.

🎯 ANÁLISE DANCOR

O R$ 97,41/saca mostra que o mercado paulista ganhou força novamente, mas ainda não significa que estamos diante de uma tendência de alta consolidada.

O mercado está entrando em uma fase em que qualquer alteração na percepção de oferta ou demanda pode provocar movimentos rápidos.

Para o comprador, vale acompanhar principalmente CEPEA, NY #11, dólar, petróleo, etanol e disponibilidade física das usinas.

Para o vendedor, a atual recuperação dos preços melhora a oportunidade de comercialização, mas é importante avaliar o risco de uma eventual correção caso o Brasil aumente a disponibilidade ou a Índia volte ao mercado exportador com maior intensidade.

Nossa leitura: o mercado tende a permanecer firme e volátil, com a entressafra, o mix brasileiro, a Índia e o comportamento da demanda chinesa sendo os principais pontos de atenção.

📰 FONTES CONSULTADAS

CEPEA/ESALQ — Indicador do Açúcar Cristal Branco

Reuters — Índia avalia reduzir uso de cana para etanol

Reuters — Preços do açúcar na Índia atingem máxima com oferta apertada

USDA/FAS — Sugar Annual 2026 — Brasil

OECD/FAO — Agricultural Outlook 2026–2035 — Açúcar


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